domingo, julho 26, 2009

Entrevista para o Correio Braziliense

No fim do mês de junho, o jornalista Michelson Borges concedeu esta entrevista ao jornal Correio Braziliense (leia também a reportagem aqui):

Quais são as principais ideias e linha de pensamento do criacionismo?

O criacionismo bíblico é uma associação coerente entre a ciência experimental e a religião bíblica. Seu objetivo é entender a realidade, especialmente no que diz respeito à origem e destino do Universo e da vida. Outras linhas de pensamento, como o darwinismo, também se valem desse tipo de associação, neste caso, entre a ciência e o naturalismo filosófico. Assim, ambos os modelos têm um componente científico e outro metafísico. Qualquer paradigma que busca compreender eventos passados únicos e irreproduzíveis (cientificamente não testáveis ou não falseáveis), utilizará, necessariamente, argumentos científicos e metafísicos na construção de modelos. Portanto, nenhum desses paradigmas deveria ser traduzido como uma teoria puramente científica (ou seja, um conjunto conciso de afirmações que explicam um conjunto abrangente de fenômenos). Da mesma forma, o evolucionismo não deveria ser confundido com filosofia (ou naturalismo filosófico), bem como o criacionismo não seria sinônimo de religião (ou conhecimento bíblico).

A discussão entre criacionismo e evolucionismo é antiga. Por que para a sociedade científica é tão difícil aceitar as ideias criacionistas?

Justamente porque muitos consideram o criacionismo como um modelo apenas religioso, sem levar em conta seu aspecto científico. Portanto, muito dessa rejeição aos criacionistas tem origem no preconceito. Criacionistas, embora reconheçam a Bíblia Sagrada como fonte de princípios morais e de respostas satisfatórias para as perguntas fundamentais da humanidade, também fazem boa ciência e se pautam pelo método científico. Dentre os vários cientistas criacionistas atuais que fazem pesquisas relevantes, podem-se destacar dois biólogos norte-americanos: Leonard Brand e Harold Coffin. Ambos têm artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos, respectivamente, sobre baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e sobre as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico e professor da Unicamp, Dr. Marcos Eberlin, que dirige o Laboratório Thomson de espectrometria de massas, é membro da Academia Brasileira de Ciências e o terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome. Para eles, é possível fazer boa ciência e defender o criacionismo bíblico.

A “sociedade científica”, como quaisquer outras sociedades, é fruto de seu meio cultural e é influenciada por ele. Após o Iluminismo, o mundo ocidental assistiu a uma crescente rejeição à religião institucionalizada. Mas isso nem sempre foi assim. Cientistas do quilate de Galileu e Newton não apenas ajudaram a criar o método científico, como eram profundamente religiosos. Newton e Pascal estudavam avidamente as Escrituras e não viam incompatibilidade alguma entre ciência e religião. Os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

A teoria da evolução descrita por Darwin é realmente possível? Ela pode ser complementada pela teoria da criação?

Pode-se dizer que Darwin acertou no varejo, mas errou no atacado. Traduzindo, ele teve o brilhante insight da seleção natural, que é capaz de promover a microevolução, ou variação de baixo nível. Mas a macroevolução – o conceito de que todos os seres vivos se originaram de um único ancestral comum – se trata de extrapolação não confirmada pelos fatos.

Simpatizantes do modelo criacionista que tenham tido formação acadêmica entendem a importância da teoria da evolução e reconhecem a contribuição dada por Darwin à comunidade científica. Há aspectos no evolucionismo fundamentados, os quais são úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, assim como para a interpretação de dados. A esses aspectos nenhum criacionista que tenha formação científica se opõe. Porém, como em toda teoria, há alguns pontos no evolucionismo que não são sustentáveis e devem ser questionados.

Por exemplo: a teoria da evolução não consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de matéria não viva; também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos; não consegue explicar o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais. Em relação ao registro fóssil, a teoria da evolução não consegue explicar a Explosão Cambriana (surgimento repentino de formas de vida complexas no registro fóssil); e também não consegue explicar a falta de formas de transição entre os principais grupos de organismos.

Você acredita que seja possível misturar as crenças religiosas nas pesquisas científicas sobre a criação do mundo?

Não creio que seja interessante misturar crença com pesquisa científica. A ciência deve continuar funcionando à luz do naturalismo metodológico (que é bem diferente do naturalismo filosófico). Mas a Bíblia bem poderia fornecer algumas linhas de pesquisa, especialmente quando se percebe que o paradigma darwinista encontra limitações, insuficiências e becos sem saída. Por exemplo: quando os geólogos se deparam com as vastas camadas da coluna geológica observadas no Grand Canyon, que supostamente estiveram expostas cada uma a muitos milhares de anos, e não encontram nelas vestígios de erosão, deveriam ter a liberdade de racionar sob as premissas de outro modelo. O que aqueles estratos plano-paralelos indicam? Uma superposição rápida e catastrófica de sedimentos. Bem, a Bíblia sugere um tal cenário ao falar do dilúvio.

Outro exemplo: a biologia darwinista não consegue explicar a origem da informação complexa especificada presente no DNA. Mas, para o criacionista, que também pesquisa e estuda essa maravilhosa complexidade, o enigma é simples: informação pressupõe uma fonte informante inteligente e muito poderosa.

Portanto, o verdadeiro embate entre as argumentações evolucionistas e criacionistas está centrado na existência ou não de planejamento e intenção nas coisas existentes. Dentro desses limites, a discussão poderia ser puramente científica. Enquanto o evolucionismo defende a ideia de acaso e aleatoriedade, buscando explicar a vida como o resultado de causas puramente naturais, o criacionismo defende a ideia de propósito e planejamento, buscando explicar a vida como resultado da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano.

Por que você decidiu criar um blog sobre o assunto?

Porque me dei conta de que, de modo quase geral, a grande imprensa não tem tratado do assunto com o mínimo de neutralidade que seria esperado. Alguns veículos já classificaram os criacionistas como “aniti-intelectuais”, “obscuros”, “esquizofrênicos” e até “criminosos”! As pessoas que leem essas matérias e não procuram aprofundamento em livros e outras publicações criacionistas terão uma visão muito distorcida do criacionismo.

Criei o criacionismo.com.br como jornalista preocupado em mostrar o “outro lado da moeda” e levar a público uma discussão que muitas vezes fica restrita aos círculos acadêmicos. Amo a ciência, amo o jornalismo e amo o meu Criador. Era o mínimo que eu podia fazer pelos três.

segunda-feira, julho 13, 2009

No compasso certo

Bartolomeu Rodrigues Lima, 44 anos, é natural de Maragogipe, BA, e estuda Música no Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho. No intervalo de seu trabalho como segurança do colégio, concedeu esta entrevista a Michelson Borges e falou sobre o milagre que Deus operou em sua vida.

Como teve início sua carreira musical?

Aos 18 anos, comecei a tocar nas igrejas católicas de minha cidade, em um grupo de jovens. Eu não era católico praticante; ia à igreja mais pela música. Depois, fui chamado para tocar contrabaixo no Trio da Prefeitura de Maragogipe. Após algum tempo nesse trio, recebi convite para tocar na cidade de Feira de Santana, como guitarrista de uma banda que se apresentava em bailes. Permaneci nessa banda por aproximadamente três anos. Lá, a gente tocava de tudo: de Michael Jackson a samba!

A seguir, voltei para Maragogipe, onde passei a tocar noutra banda. Sempre tive vontade de tocar nessa banda porque ela era formada por bons músicos e tinha instrumentos de qualidade.

Nessa época, passamos a viajar muito pelo Brasil, fazendo shows e apresentações em programas de TV. Toquei com vários artistas, como Beto Barbosa, Netinho, Ricardo Chaves e outros.

E foi assim o início da minha carreira musical.

Que instrumentos você toca?

Contrabaixo, guitarra, violão (que é o meu forte) e bandolim. Além disso, gosto de compor e fazer arranjos.

Como seu gosto pela música foi despertado?

Meu gosto pela música começou por volta dos 15 anos. Lembro que minha babá tinha um sobrinho chamado Jorge, que tocava violão. Eu aproveitava os “cochilos” dela para pegar o violão do Jorge e tocar. Foi assim que tive o interesse despertado pela música.

Isso é realmente coisa de Deus, porque nunca tive professor de música. Aprendi a tocar apenas observando os músicos. Hoje, procuro adquirir os conhecimentos teóricos, e Deus está me dando a oportunidade de estudar no curso de Música no Unasp.

Como foi sua vida no mundo dos shows e espetáculos?

Certo dia, logo que comecei a tocar e viajar, tive o desprazer de experimentar maconha. Experimentei e gostei. Infelizmente, o consumo de drogas é muito comum no meio artístico.

Depois disso, saí do grupo na Bahia e fui para o Rio de Janeiro. Houve um desentendimento no grupo, que resultou na minha saída. Foi muito desagradável, porque essa era a minha fonte de renda. Na mesma época, perdi a namorada. Então, meu mundo realmente desabou!

Em 1993, me convidaram para ir ao Rio de Janeiro fazer uma excursão musical com um grupo de Castro Alves, Bahia. Fizemos essa turnê, mas nosso empresário, que era muito esperto, nos “passou a perna”. Então, o grupo resolveu voltar para a Bahia. Mas decidi ficar porque não queria rever minha ex-namorada. Eu ainda gostava dela.

No Rio, sua experiência com as drogas foi ainda pior?

Sim. Eu estava lá, sem dinheiro e sem instrumento musical. O pessoal da banda havia retornado para a Bahia me deixando naquela situação, porque eles não tinham condições de me pagar.

Como não tinha instrumento, um rapaz, que nem me conhecia, me emprestou um violão. Então, passei a tocar MPB em barzinhos, fazendo voz e violão. Depois de dois meses, devolvi o violão ao rapaz e peguei outro emprestado com um professor de teatro de Vassouras, RJ. Graças a esse instrumento, consegui comprar um violão importado, o mesmo que está comigo até hoje.

Toquei em Vassouras por seis anos. Depois, fui para a cidade de Miguel Pereira, onde passei a morar e tocar em um hotel. Lá, as coisas começaram a melhorar, financeiramente. Então, além da maconha, passei a consumir cocaína. Por duas ou três vezes, passei tão mal que pensei que fosse morrer. Eu usava drogas mais para acompanhar os amigos.

Como Deus começou a chamá-lo para fora dessa vida?

Na Bahia, tive uma namorada evangélica. Ela se chama Rosângela e há aproximadamente sete anos se tornou adventista. Certo dia, quando já era adventista, Rosângela sonhou que eu estava muito mal. A irmã dela, quando soube do sonho, disse que ela deveria me procurar e falar de Jesus para mim.

Um tempo depois, Rosângela me encontrou no Rio de Janeiro, guiada pela oração. Ela orou a Deus pedindo que a ajudasse a me encontrar. E assim foi feito!

Rosângela ligou para mim, no hotel, para contar o sonho. Ela disse que eu devia procurar urgentemente uma igreja, pois Satanás queria tirar minha vida. Mas eu não deveria ir para qualquer igreja, e sim para a Igreja Adventista. Eu ainda não conhecia a Igreja Adventista, mas Rosângela já havia se informado sobre o lugar em que havia um templo perto de onde eu morava.

Antes de ir para a Igreja Adventista, eu já havia sido batizado na Igreja Universal, já tinha participado da Igreja Metodista e havia ido algumas vezes à Assembleia de Deus. Quando voltava dos cultos, eu costumava chorar em meu quarto. Lia a Bíblia e chorava, dizendo para Deus que não queria mais aquela vida para mim. Certamente, o Espírito Santo de Deus já estava me impressionando.

Apesar da realização profissional e financeira, eu não era feliz. Mesmo quando frequentava essas igrejas, não havia mudanças em minha vida. Continuava bebendo, usando drogas, etc. E o vazio interior só aumentava.

Rosângela também me escreveu uma carta, dizendo que eu corria risco de morte, mas que Deus havia falado para ela que não ia deixar Satanás tirar minha vida, pois eu pertencia a Ele.

Depois desse apelo, fui visitar a Igreja Adventista de Paty do Alferes, que fica a alguns minutos da cidade de Miguel Pereira, RJ. Logo percebi que se tratava de uma igreja diferente, pois as pessoas não gritavam, não se atiravam ao chão. Aquele lugar havia me impressionado.

Comecei a frequentar aquela igreja. Certo dia, perguntei a uma irmã, chamada Hilda, se eu poderia tocar violão na hora do louvor. Ela amavelmente me disse que eu não poderia tocar porque ainda não era batizado. Então, eu disse a ela que um dia iria tocar lá na igreja.

O tempo passou, a irmã Hilda foi para o Japão dizendo que iria orar por mim. E, quando ela voltou, eu já estava batizado. Ao me ver, ela chorou de emoção!

Foi difícil abandonar os vícios?

Enquanto fazia estudos bíblicos, antes de ser batizado, Deus tirou de mim toda a vontade que eu tinha de consumir drogas. Depois de ter ido à igreja por duas ou três vezes, naturalmente parei de beber, de fumar cigarro e maconha.

Então, o pastor achou que eu já tinha condições de ser batizado. Meu batismo foi no dia 5 de maio de 2007.

E sua vida profissional?

Primeiramente, tive que abrir mão de parte da minha renda por não mais trabalhar aos sábados. Depois, tive que parar definitivamente de tocar em barzinhos, pois percebi a incompatibilidade disso com a vida cristã. Então, as coisas começaram a ficar difíceis. Foi então que um amigo que conhecia a professora Ana Schäeffer, do Unasp, perguntou se ela não poderia abrir um espaço para eu tocar no colégio. Ela me convidou para fazer uma apresentação durante a Semana de Letras.

Com o apoio financeiro dos irmãos da igreja de Miguel Pereira, fui para o Unasp fazer minha apresentação. Permaneci no colégio por uma semana e gostei muito do lugar.

Percebendo meu interesse, a professora Ana se prontificou a falar com o pastor Paulo Martini, diretor da instituição, para ver se ele poderia conseguir algum trabalho a fim de que eu pudesse custear os estudos no colégio. Mas isso era bem difícil, pois havia muitas pessoas na fila buscando uma vaga.

No entanto, eu sabia que, se fosse da vontade de Deus que eu estudasse no colégio, Ele iria providenciar todos os recursos para que isso acontecesse. Ele prepararia o caminho.

Voltei para o Rio de Janeiro e, algum tempo depois, o Unasp me chamou para trabalhar como um dos seguranças no colégio. O salário não é como na época em que eu tocava, mas o pouco que ganho é abençoado. Antes, o que eu ganhava não era suficiente para pagar as contas. Agora, graças a Deus, consigo manter as finanças sob controle.

Como está sua vida hoje? Aquele vazio interior que você sentia já foi preenchido?

Agora é só paz e amor! Estou tranquilo, com o coração sossegado. A única coisa que me preocupa é melhorar minha vida espiritual, minha conduta. Oro para que Deus me transforme.

Agora, para mim, música só em louvor a Deus! Em meu coração, sinto que não posso mais abandonar meu Senhor Jesus Cristo. O que Ele fez por mim não tem preço. Ele me tirou da lama e da miséria em que eu vivia. Posso ver o quanto Jesus me ama!

Hoje, como você vê a música secular? Você acha que ela afasta de Deus o cristão?

Com certeza! Existem algumas músicas que até nos passam uma mensagem bonita; elas podem não falar exatamente de Deus, mas também não nos trazem pensamentos ruins. Mesmo assim, a música é um instrumento muito forte nas mãos de Satanás. Ele a usa para desvirtuar as pessoas. É triste ver isso acontecendo mesmo dentro da nossa igreja. Temos que tomar muito cuidado com o louvor que vamos apresentar a Deus. Nosso louvor é para o Deus Todo-poderoso. Temos que oferecer o melhor para Ele, porque Ele sempre faz o melhor por nós.

Em sua opinião, qual é a melhor música para se oferecer a Deus?

Temos que buscar aquilo que é mais tradicional da igreja, especialmente os hinos do Hinário Adventista. Devemos oferecer a Deus um louvor mais suave, sem gritaria. Ellen White diz que nosso louvor deve ser para adorar a Deus, e não para satisfazer nosso ego.

Hoje, na igreja, vemos pessoas gritando demais, usando ritmos mundanos. Devemos cantar com mais simplicidade e reverência.

Quais são seus planos para o futuro?

Na verdade, não tenho muita preocupação com relação ao futuro. Minha única preocupação é estar ligado a Jesus Cristo dia a dia, fazendo sempre o meu melhor para Ele, ajudando as pessoas naquilo que eu puder, cumprindo a vontade de Jesus. Quero que meu futuro corresponda às expectativas de Deus para minha vida.

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