quarta-feira, dezembro 07, 2011

Na direção de Jesus

A história da corredora e modelo que abandonou a carreira para servir a Deus

Fábia Siqueira da Silva nasceu em fevereiro de 1985, em Campo Grande, MS. Cursou Publicidade e Propaganda no Unasp, campus Engenheiro Coelho, gosta de ler e praticar esportes. Atualmente, é secretária do Departamento de Publicações da Associação Catarinense da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em São José, SC. Membro da Igreja Adventista do Estreito, em Florianópolis, Fábia trabalhou na agência Zoom, no Unasp, e como colportora por dois anos. Mas o que muitos hoje não sabem é que a moça foi campeã de corridas automobilísticas, sendo a única mulher na categoria, modelo e apresentadora de TV. Juntamente com o pai, Gernival, a mãe, Ione, e os irmãos, Phillip e Flávia, Fábia viveu uma experiência amarga que somente neste ano teve seu desfecho. Leia a entrevista abaixo, concedida ao jornalista Michelson Borges, para saber mais detalhes dessa história de fé, sofrimento, vitória e superação.

Fale um pouco sobre sua infância.

Quando eu tinha quatro anos de idade, meus pais abandonaram a Igreja Adventista, porém, continuei estudando no colégio adventista, o que me fazia frequentar ocasionalmente a igreja, isso até os meus 11 anos. Meu pai tinha uma das maiores revendas de veículos usados do Mato Grosso do Sul. Ele idealizou o primeiro “feirão de veículos” com transmissão em programas de rádio e televisão, o que fez a família ficar ainda mais conhecida no Estado. Sempre fui muito apegada a ele e cresci nesse universo.

Como foi seu ingresso nas corridas de automóvel e que títulos conquistou?

Entrei no automobilismo aos 16 anos. Em minha primeira corrida, conquistei o segundo lugar no pódio. A partir daí, comecei a disputar provas e campeonatos na categoria Hot Fusca (corrida na terra). Em 2003, disputei provas na categoria Fórmula Fusca, em Campo Grande, e Pick-up Racing (categoria nacional). Disputei provas no Paraná e no Rio Grande do Sul. Em 2004, Montei um fusca cor-de-rosa e deixei o cockpit do outro fusca para meu irmão. Disputamos o campeonato de 2004, juntamente com outros 15 pilotos. Na penúltima etapa, recebi o título de campeã, e na última corrida, Phillip (meu irmão) foi vice-campeão do campeonato.

Com o nome bem evidente na mídia e a experiência de vida já adquirida, recebi uma proposta para me candidatar a vereadora. Aceitei, porém, depois de uma semana de campanha nas ruas, descobri que o partido ao qual eu estava filiada estava “jogando sujo” comigo e decidi parar com a campanha.

Em 2005, encerraram-se as disputas de fusca em Campo Grande. Por conta disso, deixei o automobilismo e dividi meu trabalho entre a empresa do meu pai, a carreira de apresentadora de TV (com quadros sobre automobilismo) e apresentadora de shows de artistas famosos.

Qual foi a corrida mais marcante da sua carreira?

Em 2004, no ano em que fui campeã, participei de uma corrida muito emocionante. Larguei na frente e meu irmão largou em último, porque estava com um problema no carro. Um piloto quis me tirar da corrida logo na largada e bateu no meu carro. Na primeira curva, rodei na pista. Fiquei ali parada e todos os carros começaram a vir em minha direção. Tive a sensação de que iam bater em cheio na minha porta. Logo atrás, vinha meu irmão e temi que ele batesse em mim. Seria o fim da corrida para os dois. Assim que me viu parada, ele freou e jogou o carro de lado, parando bem do meu lado, na contramão. Olhamos bem no fundo do olho um do outro e fizemos o sinal de positivo: “Vamos acelerar.” Pisamos fundo e fomos conquistando posições. Naquela corrida, meu irmão terminou em primeiro lugar e eu, em segundo. Foi espetacular!

Como foi a experiência de correr num meio dominado por homens?

Quando entrei no automobilismo, passei a ouvir piadas como “mulher no volante, perigo constante”, que todo mundo já está com os ouvidos calejados de tanto ouvir. Mas, a partir do momento em que comecei a demonstrar meu lado profissional no automobilismo, as coisas mudaram e conquistei o respeito das pessoas. Sempre levei numa boa os gracejos. Nunca desrespeitei nenhum piloto por causa disso, pois todos ali são profissionais.

Você também atuou como modelo. Como foi isso?

Aos 13 anos, entrei em uma agência de modelos; fazia books, desfilava para algumas grifes e participava de alguns comerciais em Campo Grande. O meio artístico me chamava a atenção. Meu pai tinha um programa de rádio e de televisão voltado para a empresa, e eu atuava como repórter-mirim. Com a fama e as corridas, os convites foram mais frequentes.

Depois disso, você ainda voltou às pistas?

Em 2007, recebi uma proposta de assessoramento de uma empresa de marketing esportivo do Paraná para voltar a correr em uma categoria nacional. Pensava em ingressar na Stockcar Light, Pick-up Racing ou a Copa Clio. E, para conseguir finalizar esse projeto, fui até São Paulo, para uma reunião com o editor da revista Playboy, a fim de conseguir uma possível matéria. Essa reportagem me renderia grandes patrocinadores para o projeto. Porém, o diretor de redação disse que eu precisava voltar a correr para conseguir “soltar” a matéria. E quando eu voltasse a correr era necessário que fossem veiculadas reportagens em mídias nacionais.

Aceitei a proposta, voltei para o hotel e liguei o computador para passar o tempo. Como meu irmão e minha mãe tinham acabado de ser batizados, ele havia apagado do computador todas as músicas “mundanas” e gravou só hinos. Então, comecei a escutar os hinos da igreja mesmo. E me lembrei dos meus 10, 11 anos, de quando eu ia à igreja. As músicas e aquelas lembranças mexeram comigo e comecei a chorar. Chorei desesperadamente ali no quarto do hotel sem saber o que estava se passando. Perguntei para Deus o que Ele queria de mim e se o que eu estava fazendo era correto.

Cheguei em Campo Grande e continuei meu projeto. Consegui patrocinadores locais para comprar o kart e logo saíram as matérias nacionais que o diretor de redação pediu; inclusive uma delas foi capa do portal Terra. Até ali minha carreira estava como eu queria: decolando.

Fale sobre a crise que sua família enfrentou e sobre a decisão difícil que você teve que tomar.

A crise financeira mundial de 2008 fez com que a empresa do meu pai entrasse em dificuldades. Eu acreditava que minha carreira no automobilismo decolando seria uma das soluções para a crise na empresa. Pedi uma resposta para Deus. Estava na minha sala, ajoelhada e chorando, e clamei a Ele. A loja do meu pai estava indo à falência e eu precisava de uma resposta. E ela veio. É como se eu tivesse escutado uma voz dizendo: “Venda o kart.” Ai eu disse para Deus: “Vou anunciar meu kart; se vender, eu paro com as corridas; se não vender, eu continuo com o projeto.” Liguei para o meu preparador e disse que eu queria vender o kart. Ele usou de várias objeções para impedir. Fiquei em minha sala orando, quando, depois de 30 minutos, ele me retornou a ligação: “Está vendido. Passe à noite no kartódromo para pegar o dinheiro.”

Vendi o Kart, parei com o projeto e fui batizada em setembro de 2008. Meu pai foi rebatizado em seguida. Enfrentamos juntos toda a dificuldade financeira da loja, até novembro daquele ano, quando tivemos que encerrar as atividades.

Por que as corridas e alguns outros esportes não são compatíveis com o estilo de vida adventista?

A forma como eu estava me envolvendo nas corridas não estava certa. Como eu não tinha muitos recursos, usei outras estratégias de marketing. No automobilismo, ou você tem dinheiro para entrar, ou um bom padrinho, ou vai “na raça”; eu fui “na raça”. Os treinos também eram aos sábados. Além disso, por ser mulher e bem-sucedida nas corridas, a mídia passou a me dar muito destaque; fiquei famosa, e isso me “subiu à cabeça”. Dinheiro e fama constituem um caminho perigoso; tem que saber administrar bem isso.

Que rumo você deu à sua vida depois de abandonar a carreira no automobilismo?

O pastor da minha igreja me indicou a colportagem [venda livros religiosos, de saúde e de educação familiar] e me falou do Unasp. Em dezembro de 2008, fui colportar e, em 2009, fui para o Unasp, em Engenheiro Coelho, SP, juntamente com meu irmão. Esta foi minha boa rotina a partir dali: estudar e colportar para pagar os estudos.

Mas a vida da sua família sofreu uma reviravolta em 2010.

E que reviravolta! Com a quebra da empresa do meu pai, alguns clientes mal intencionados quiseram nos prejudicar. Em março daquele ano, o delegado de Campo Grande foi até o Unasp com um mandato de prisão para mim, alegando que eu seria uma “isca” para eles encontrarem meu pai. Já pensou nisso? Fui de Engenheiro Coelho até Campo Grande em uma viatura com o delegado, uma investigadora e um policial! Pelo menos, dentro da viatura eu falei do amor de Jesus, li O Grande Conflito, a Bíblia e pedi para o policial ouvir os hinos que eu colocava no meu iPod.

Chegando em Campo Grande, o delegado disse que estava me levando porque eu era o “xodó” do meu pai, e me informou que no mesmo instante em que fui presa, minha família também foi presa em Campo Grande. Fiquei cinco dias na cadeia. Minha irmã ficou 11 dias; meu pai12 e minha mãe 18.

Depois desse episódio constrangedor, fui colportar em Santa Catarina, em julho de 2010. Minha família foi com meu pai para uma fazenda, no interior do Estado, onde ele começou a trabalhar para nosso ex-contator.

Colportei três férias seguidas, e quando estava trabalhando, as coisas pioraram para meu pai. No mês de novembro, ele soube que a prisão dele havia sido revogada pelo Ministério Público, apesar de ele ter informado que a nova residência da família era na fazenda onde ele estava trabalhando como empregado. Quando o oficial de justiça esteve lá, o capataz ficou com medo e informou que meu pai não morava lá e que não sabia onde ele estava, o que resultou na revogação da liberdade provisória dele. Ele ficou refugiado na fazenda até que minha irmã desse à luz seu bebê. No mês de janeiro de 2011, meu pai, minha mãe e minha irmã mudaram novamente para Campo Grande. Ela deu à luz no dia 7 de janeiro. No dia 25, meu pai se apresentou para ser preso e foi encaminhado para o Centro de Triagem Anísio Lima, na Capital, onde permaneceu até o dia 19 de novembro.

Qual foi a acusação contra seu pai e contra você?

Respondemos processos por estelionato e formação de quadrilha.

Em que condições seu pai ficou preso?

No início da minha prisão, ele ficou em uma cela que media 3m x 3m, com 21 detentos, pessoas tremendamente revoltadas e dependentes de drogas. Meu pai aproveitava o banho de sol de uma hora para correr e respirar ar puro. Muitos debochavam dele, porque aproveitava todo o tempo para ler a Bíblia. Após 21 dias nessa situação, ele foi transferido para outra cela. Ali ele tinha tempo livre das 8h às 14h e começou a dar estudos bíblicos para um detento que havia tentado o suicídio. Depois, meu pai continuou o trabalho com mais 16 homens. Após realizar vários estudos bíblicos no pátio, diariamente, a direção do Centro de Triagem lhe cedeu uma sala para ele continuar ministrando os estudos bíblicos. De forma direta, meu pai levou a mensagem do evangelho para quase 40 pessoas, e de forma indireta, para toda a comunidade carcerária, já que acabou recebendo a responsabilidade de ser o capelão da cadeia.

Aquele trabalho de evangelismo resultou em algo que meu pai julgava impossível: converter para Jesus o chefão dos presos e o maior usuário de drogas dali, Valdeir Rezende. Resumindo a história: esse homem hoje ministra as aulas bíblicas em lugar do meu pai! Hoje Valdeir se prepara para ser batizado juntamente com a esposa, que o visita todos os domingos.

O que aconteceu depois, com você e sua família?

Em junho de 2011, fui chamada para trabalhar como secretária do Departamento de Publicações da Associação Catarinense da Igreja Adventista, onde estou até hoje. E para minha felicidade e da minha família, no dia 19 de novembro de 2011, tivemos a alegre notícia de que minha família e eu fomos absolvidas de todos dos 25 processos que estávamos respondendo por estelionato e formação de quadrilha.

Você experimentou a fama e a humilhação. Depois de passar por tudo isso, qual é a sua avaliação?

O mundo lá fora é muito atrativo e mascarado: festa, glamour, gente famosa, pessoas bonitas. A mídia prega isso. Hoje em dia, tem gente que paga para estar em evidência. Depois, essas pessoas vão se tornando avarentas, arrogantes e gananciosas, sem saber que fama e dinheiro não duram para sempre. É por isso que existem vários casos de famosos que, quando saem da mídia, se suicidam; é porque ficam no esquecimento. São pessoas vazias por dentro e sem esperança; não sabem de onde vieram, para onde vão, nem mesmo sabem por que vivem.

Quando perdemos tudo, ficam as experiências e as lembranças, mas temos que cuidar para não olhar muito para trás e cair. Minha mãe sofria de depressão. Depois que a loja quebrou, meu pai também começou a enfrentar esse mal. Os dois estiveram à beira da morte.

Eu estava acostumada a chegar nas melhores festas de Campo Grande, encostar meu Audi A3 e ficar na roda dos “bacanas”, bebendo meu champanhe ou uísque. Se não fosse a falência da empresa, acho que jamais meu pai e eu teríamos nos aproximado de Deus. Nossa vida era muito boa e cômoda. Mas a partir das dificuldades nos colocamos nas mãos de Cristo e procuramos aceitar toda provação, entendendo que seria importante para o nosso crescimento e transformação. Foi aí que, nas dificuldades e adversidades, criamos oportunidades para pregar esperança.

Depois de passar por tudo isso, aprendi que o mais importante é Deus e minha família. Abro mão de tudo para tê-los por perto.

Quais são seus projetos de vida atualmente?

Coloco-me todos os dias nas mãos de Deus e deixo que Ele pilote para mim. Minha família e eu nos preparamos diariamente para a volta de Jesus; queremos pregar o evangelho. A comunicação faz parte de nós, e agora vamos usá-la para Jesus. Além disso, não queremos pagar com mal o mal que nos fizeram; queremos, em nome de Jesus, poder pagar todo o prejuízo sofrido por nossos antigos clientes.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Comprometido com Cristo

Juiz fala de sua conversão e de como utiliza sua influência para falar da verdadeira liberdade

Vanderlei de Oliveira Silva, 40 anos, é juiz de Direito do Juizado Especial de Belém, PA. Casado com Wanderly de Oliveira Alencar, tem dois filhos, Mayara e Matheus. Depois de convertido, ele estabeleceu o firme propósito de usar sua influência para evangelizar e levar a mensagem de salvação aos detentos, ajudando-os a ser reintegrados ao convívio social. O Dr. Vanderley começou atuando no município de Chaves, na Ilha de Marajó. Depois foi transferido para Itaituba, no extremo sul do Pará. Em seguida, foi para Itupiranga, de onde foi chamado para Viseu, a 350 km de Belém, permanecendo lá por nove anos. Agora ele reside e atua na capital do Pará, onde foi promovido a juiz de terceira entrância, cargo final na magistratura. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, durante um congresso de jovens em Belém, o Dr. Vanderley partilha um pouco de sua experiência e suas lutas.

Na juventude, o senhor acabou se afastando de Deus. O que o trouxe de volta?

Tive o privilégio de ter tido uma educação cristã muito saudável, embora vivendo numa situação de pobreza e humildade. Mas com o tempo acabei me afastando de Deus. Quando nasceu minha primeira filha, fiquei preocupado com a formação dela, já que eu estava fora da Igreja. Que futuro e base moral eu poderia dar a ela? Tive então que me afastar dos amigos com os quais bebia e ia a festas. Alguns debocharam da minha decisão, dizendo ser ilógica para um jovem juiz que deveria “aproveitar a vida”. Graças a Deus, hoje os colegas me chamam mais de “pastor” do que de juiz, e os deboches cessaram. Muitos me procuram para pedir orientação e até mesmo literatura cristã. Isso porque minha postura no trabalho é a mesma que tenho na igreja: sou um missionário.

Que conselho o senhor dá ao profissional que quer testemunhar em seu ambiente de trabalho e conquistar credibilidade?

Tudo se resume nas palavras compromisso e perseverança. Num primeiro momento, os “torpedos” vêm de todos os lados. Passei por situações não somente de escárnio, mas até mesmo de ameaça de morte. Implantamos igrejas em algumas comunidades, com a ajuda de presos que já haviam sido batizados. Isso contrariou outras religiões, já que o juiz da Comarca era agora um “pastor” que estava evangelizando, usando inclusive o fórum como “palco” de evangelismo. Eu tinha menos de um ano de batizado quando fiz esse evangelismo em Vizeu. O principal jornal da cidade denunciou meu trabalho, alegando que eu estava utilizando os detentos para construir igrejas para mim, com objetivo mercenário. Isso foi parar no Tribunal e gerou processos e representação na Procuradoria da República.

Satanás utilizou vários instrumentos para me fazer desistir. Certa ocasião, uma multidão chegou a cercar o fórum; quebraram vidros e gritaram que eu devia morrer. Era ano eleitoral no município e alguns conseguiram dar conotação política à situação. Chamaram-me de “juiz corrupto”, “pastor ladrão”. Meu nome foi ridicularizado na TV e nos jornais. Movi alguns processos criminais e de indenização por danos morais, mas não chegaram a lugar algum. Prescreveram pelo tempo que se passou. Contratei três advogados, mas entendi que Deus tinha uma vitória muito maior para mim. Uma das pessoas que me atacaram, uma advogada, anos depois se retratou publicamente e, durante um seminário de que participávamos, entregou-me uma carta escrita a mão, pedindo-me perdão, dizendo que a carga que carregava era muito grande. Eu disse a ela que já a havia perdoado antes de ela me pedir. Os olhos dela se encheram de lágrimas.

As vitórias que o Senhor me concedeu foram concretizadas com centenas de pessoas tomando a decisão pelo evangelho. Dois municípios puderam ser alcançados e muitas autoridades do Executivo e do Legislativo tiveram oportunidade de conhecer a mensagem cristã de forma direta e clara.

Minha promoção teve que ver com esse meu comprometimento social e com a justiça. O presidente do Tribunal disse que eu era um “referencial de exemplo na magistratura paraense” e que “a magistratura se sente honrada pela minha presença entre eles”. Quando fui transferido para a capital, houve uma comoção diferente em Viseu. As pessoas não queriam mais que eu saísse. Deus foi honrado e tenho profunda gratidão a Ele. E essa gratidão se expressa num compromisso cada vez maior com a obra de Deus.

Como o senhor aplica os princípios do evangelho em sua profissão?

Por exemplo, como falar de sugurança pública – grande problema atual – sem falar da segurança maior que encontramos em Jesus? Certa vez, apresentei palestra para um grupo de 300 delegados de polícia e falei sobre a conexão entre o Poder Judiciário e a Polícia. Disse que Deus é a única pessoa que encarna estas duas figuras: a figura do delegado, como agente de investigação do fato, do crime; e a figura do juiz, enquanto consumador da justiça. Nessas duas visões, Deus nos transmite algo sublime, extraordinário, que delegados e juízes precisam compreender: a visão de que a investigação e a aplicação da justiça têm como finalidade principal a redenção, a restauração do indivíduo. Para Deus não existe o que na linguagem policial é conhecido como “pirão perdido”. Para o Criador, nenhum caso é perdido. Se juízes, promotores e policiais encararem as coisas dessa maneira, essa visão vai impregnar de tal forma os discursos, a abordagem nas audiências ou nas investigações, até mesmo no momento de lavrar a sentença, que isso vai fazer toda a diferença no trato com as graves questões sociais que vivenciamos.

Além de manter minha postura cristã aberta, tenho tido oportunidade de distribuir Bíblias e livros como o Vida de Jesus para muitos magistrados. Deixo claro para eles que o Código Penal é importante, mas que acredito que a Bíblia deveria ser o livro de cabeceira de todo juiz. Graças a Deus, tem havido muitas conversões devido a essa minha postura de comprometimento.

Voltando à questão da sua conversão, compare sua vida antes e depois de retornar para Jesus.

Embora tivesse consquistado posição social, estabilidade financeira, uma boa família, a casa dos meus sonhos e privilégios e vantagens da profissão, nada disso me satisfazia, já que o problema estava dentro de mim. Eu sentia angústia, sofrimento de alma, e o que havia conquistado não trazia sentido à minha vida. Houve sufocamento do meu ser, miséria em meu lar e estrangulamento da vida conjugal. Quando me converti e voltei para a igreja, meu casamento melhorou significativamente. O comprometimento com Cristo afeta todas as áreas da vida, inclusive a profissional. Deus me levou a galgar novos horizontes e me sinto um profissional plenamente realizado agora. Posso ajudar as partes conflituosas num processo levando o enfoque espiritual e tenho conseguido inúmeras reconciliações e acordos, pois toco na “ferida”, mostrando a origem dos problemas, fazendo a pessoa repensar sua existência. No caso de separação e divórcio, tem sido possível conseguir algumas reconciliações com esse enfoque. Uso as audiências para mostrar que o evangelho é a solução definitiva para os problemas humanos.

No que diz respeito à minha vida financeira, assumi um pacto com Deus de fidelidade nos dízimos e ofertas. É impressionante que o dinheiro que eu utilizava integralmente para as minhas necessidades pessoais absolutamente não daria para o que faço hoje. Certa vez, um promotor amigo meu esteve em minha casa e perguntou qual era a fonte da minha prosperidade (ele pensava em uma fonte clandestina desonesta). Disse para ele que a fonte era Deus e contei meu testemunho. Ele ficou ainda mais impressionado quando lhe disse que faço a declaração de Imposto de Renda corretamente, sem usar de subterfúgios para receber maior restituição. E completei dizendo que aparentemente a desonestidade pode nos trazer vantagens, mas no fim das contas é uma maldição terrível que coloca abaixo os principais valores da vida.

Fale sobre seu trabalho de evangelização de detentos.

Tudo teve início a partir da vontade de fazer algo verdadeiramente eficaz quanto ao resgate da cidadania dos marginalizados. Sobretudo, diante da falência do sistema penitenciário, que não consegue reeducar e muito menos ressocializar homens e mulheres encarcerados. Inicialmente, promovemos uma classe de estudos bíblicos na Delegacia de Polícia de Viseu, envolvendo jovens desbravadores. Na ocasião, mais de vinte detentos foram evangelizados e muitos deles foram batizados.

Ao longo de seis anos de trabalho missionário, somente naquela cadeia pública, mais de 50 presos tomaram a decisão de seguir a Jesus e foram batizados. Os primeiros detentos convertidos empenharam-se voluntariamente na construção do primeiro templo da Igreja Adventista na cidade de Viseu. Ao cabo de quatro meses de intenso trabalho, concluímos a construção da igreja com capacidade para 300 pessoas. A influência desse trabalho tem motivado outros irmãos a se empenharem na evangelização de presidiários em outras penitenciárias, presídios, cadeias e centros de recuperação.

Conte duas histórias marcantes desse trabalho.

A primeira se refere a G. F. S., que se envolveu em um crime hediondo, tendo assassinado o próprio cunhado com mais de trinta golpes de facão. Quando estava preso, ele conheceu o evangelho e ali na cadeia foi batizado, tendo tomado a decisão de que quando fosse libertado se dedicaria a levar pessoas a Jesus. Em seu julgamento no Tribunal do Júri da Comarca, a igreja permaneceu 18 horas (tempo que durou a sessão) em oração intercessória. Um milagre aconteceu: os jurados consideraram G. F. S. culpado apenas por crime de homicídio culposo (não intencional), e por força dessa decisão ele recebeu pena de três anos de prisão. Pouco tempo depois, foi beneficiado com livramento condicional, tendo reconquistado a família através do evangelho, levando todos a Jesus. Atualmente, ele exerce atividades missionárias na igreja e trabalha na comunidade em que vive, procurando resgatar outras pessoas escravizadas pelo pecado.

A segunda história é a do jovem A. S. P., praticante de bruxaria, magia negra e macumba, que tinha um terreiro onde se empenhava no “tratamento” de pessoas enfermas, por meio de rituais satânicos. Ele foi preso em razão de ter se envolvido em crime contra o respeito aos mortos, já que mandou desenterrar um bebê recém-nascido do cemitério público da cidade de Viseu e, em seguida, o colocou em um buraco aberto no centro do terreiro onde já havia cobra e urubu envoltos em sangue de boi e mel, pois pretendia obter mais “poder” em suas atividades espirituais.

Na prisão, o jovem, que também mantinha relações homossexuais no terreiro, era rejeitado por todos, inclusive por algumas pessoas que se diziam evangélicas e que visitavam frequentemente a delegacia, as quais se referiam a ele como sendo um “verme humano; alguém tão vil que nem mesmo Deus poderia perdoar”. Quando A. S. P. conheceu Jesus graças ao trabalho missionário desenvolvido pelos jovens da Igreja Adventista, ele se convenceu de que Deus o amava e ainda havia solução para o seu caso. Tomou a decisão, foi batizado e quando recebeu liberdade, constituiu família. Hoje ele vive para testemunhar do grande amor de Deus manifestado na transformação de sua vida.

Como deve ser feito esse trabalho com encarcerados e que cuidados se deve tomar?

Deve ser feito com muito zelo e seriedade, consciente de que aquelas pessoas são, sobretudo, vítimas da saga assassina do diabo contra os seres humanos. Como primeiro passo, procure cadastrar na Superintendência do Sistema Penal uma equipe de, no máximo, cinco pessoas comprometidas com o evangelho, para cada presídio ou penitenciária, cuidando para que as mulheres tenham contato tão somente com as presidiárias, exatamente para evitar assédios que são frequentes nesse tipo de ambiente poluído por toda sorte de promiscuidade. Sejam assíduos nas reuniões. É preciso adotar alguns cuidados, tais como: (1) procure não se envolver sentimentalmente com o detento; (2) se você não for advogado, não se envolva com a questão processual do preso; (3) seja criterioso com relação a servir como “pombo-correio”. E tenha plena certeza de que ao se dispor a trabalhar nessa grandiosa missão, o Espírito Santo o capacitará e lhe concederá grandes vitórias em sua vida pessoal, em sua família e também na experiência da libertação espiritual de homens e mulheres escravizados pelo pecado e pelo crime.

terça-feira, outubro 11, 2011

Perdido dentro da Igreja

Pastor e conselheiro familiar fala sobre o que o levou a se afastar de Deus na juventude, a influência do rock e da televisão, e como ocorreu sua conversão

Marcos Faiock Bomfim nasceu em Taquara, RS, em 1963, como o mais velho de uma família de três irmãos. Viveu praticamente toda a infância e juventude em São Paulo, onde se formou em Teologia, em 1985, no então IAE, hoje Unasp. Concluiu o mestrado em Teologia em 1998, no Unasp, campus Engenheiro Coelho, e fez pós graduação em Terapia Familiar, em Porto Alegre. Ainda durante o bacharelado em Teologia, foi professor de Musicalização Infantil e maestro de corais em escolas adventistas de São Paulo. Enquanto estudava Trompa, na Escola Municipal de Música de São Paulo, participou em orquestras, bandas sinfônicas e conjuntos de câmara. Com o Coral Acasp e a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, participou de cantatas, oratórios e outras peças.

Depois de formado em Teologia, trabalhou como pastor distrital durante nove anos, na Grande São Paulo. Por vários anos liderou os departamentos de Mordomia Cristã e Ministérios da Família em Associações da União Sul-Brasileira e na própria União, de onde, em 2011, foi chamado para liderar o mesmo departamento em nível sul-americano. Bomfim também é o apresentador do programa diário “Novo Tempo em Família”, da Rede Novo Tempo de Rádio.

É casado com a pedagoga Mariluz da Silva Bomfim e tem duas filhas, Luana e Alana.

Nesta entrevista, concedida a Michelson Borges, ele fala das lutas pelas quais passou na juventude e de como se converteu, após um período de afastamento de Deus.

Mesmo tendo nascido em lar adventista, o senhor esteve um tempo afastado de Deus. Como isso aconteceu?

Às vezes acontece que filhos criados em lares ativamente empenhados na nutrição espiritual dos seus membros se afastem de Deus. Mas não são felizes longe dEle. O Espírito Santo fica trabalhando na consciência e o prazer do pecado acaba deixando certo “amargo na boca”. No meu caso, havia uma inconstância muito grande em minha vida espiritual. Ora deixava me influenciar pelo lar, pelo colégio (IAE) e pela igreja; ora pelos amigos ou companheiros. Tentando me tornar aceito pelo grupo de amigos, acabei fazendo concessões e comprometendo princípios.

O que o atraía no “mundo”?

Tendo nascido na igreja, nunca estive, por assim dizer, “no mundo”. Nunca saí ostensivamente da igreja, nem bebi ou fumei, ou coisas do gênero. Para falar a verdade, o “mundo” nem me atraía tanto assim. No fundo, queria estar em paz com Deus, e por isso também não queria me afastar da igreja. E nem se quisesse poderia, porque meus pais faziam “marcação cerrada”!

Como era essa “marcação cerrada”?

Vou dar um exemplo. Na adolescência, comecei a imaginar que a exigência de levantar me cedo todos os dias para o culto familiar não passava de um capricho da parte dos meus pais. Também queria frequentar uma igreja vizinha, em lugar de ir à igreja com meus pais. Na verdade, eu queria mesmo era ficar do lado de fora, encostado nos carros dos amigos conversando e paquerando, longe de qualquer vigilância. Sabedor disso, meu pai certa vez me procurou, em um sábado pela manhã, e disse: “Você nos foi dado por Deus, como um empréstimo, pelo tempo em que ficar nesta casa. Gostamos muito que você fique aqui, e gostaríamos de poder sustentá-lo enquanto precisar. Mas como esta casa é regida pelos princípios de Deus, enquanto estiver aqui (e queremos que fique) você precisa se submeter a esses princípios. Esta também é sua casa, mas os princípios que a regem foram escolhidos por mim e sua mãe, quando nos casamos. Hoje você já está definindo os seus princípios, que um dia poderão ser diferentes dos nossos. Mas, por causa da responsabilidade que temos diante de Deus em relação a você, estou lhe pedindo para ir à igreja conosco e levantar se para os cultos da manhã. Peço que faça isso por nossa causa, porque, como pais, temos que responder diante de Deus por nossas atitudes em relação a você. Agora, se você vai à igreja para adorar a Deus ou não, isso já é com você. É você quem presta contas disso diante dEle.” E, estendendo a mão, com voz pacificadora, meu pai prometeu: “Depois que você sair de casa e se sustentar a si mesmo, prometo que nunca mais lhe falo de Deus, da Bíblia, de cultos ou da igreja.”

Forçado por esse “abuso do poder econômico”, senti me obrigado a estender a mão. Sei que Deus utilizou essa experiência para me manter perto dEle e um pouco mais longe das distrações dos meus companheiros.

Como você acabou se interessando pelo estilo de música rock?

Certa vez, contra a vontade de meu pai, fui acampar por cerca de quatro dias com um grupo de jovens. Todos cantávamos em um dos corais da igreja, mas como o acampamento era independente (sem a supervisão de líderes da igreja), praticamente não havia adultos com coragem para se posicionar e que se responsabilizassem pela manutenção dos princípios espirituais. Meu pai me havia deixado ir, depois de muita insistência de minha parte, porque não sabia de toda a verdade acerca do acampamento.

Durante todo o tempo, dia e noite, música rock era tocada em volume muito alto. Não tenho lembranças de serviços espirituais ou de culto. No primeiro dia, quase não pude suportar a experiência de ouvir aquela música, já que em casa estava habituado apenas à música cristã ou clássica. No fim do segundo dia, minha mente já estava mais acostumada com a batida, e ao terceiro dia já encontrava verdadeiro prazer naquilo que antes me causava repulsa. Desse modo, o rock foi para mim a porta de entrada para a música popular.

Qual o problema com esse tipo de música?

O rock, bem como outros tipos de música muito ritmada, tende a levar o indivíduo a estados pré hipnóticos, por causa da batida cadenciada. Se isso ocorrer, dependendo do volume do som e do grau de envolvimento, o indivíduo acaba sendo prejudicado em sua capacidade decisória, no juízo crítico e no raciocínio lógico. É nessa hora que os impulsos mais baixos tomam as rédeas e isso é a senha para que espíritos satânicos assumam completamente a direção. Já o Espírito de Deus trabalha de modo diferente. Sua atuação ocorre de modo mais eficaz quando a mente está na sua melhor sensibilidade perceptiva, livre de influências que diminuam a capacidade de raciocínio lógico do indivíduo. É por isso que, além de não escutar esse tipo de música, o cristão também não deveria utilizar drogas, álcool, nicotina ou cafeinados, porque tudo isso prejudica a clareza mental.

Mas, voltando à música, além da pré hipnose, a letra da maioria dessas músicas, o estilo de vida dos artistas e suas crenças são uma mal disfarçada tentativa de impor os valores do império das trevas. Alguns desses músicos inclusive já confessaram que compunham diretamente sob inspiração satânica, e este fato é fartamente comprovado em literatura sobre o assunto. Outros, infelizmente, ignoram o poder que os move, mas quem estuda a Bíblia não precisa ficar ignorante: “Pelos seus frutos os conhecereis”, disse Jesus.

E as demais músicas populares? Também são assim tão nocivas?

Eu estenderia o mesmo raciocínio para boa parte da música popular. Existem pessoas que recuariam horrorizadas diante de um rock pesado, mas passam horas e horas escutando inocentemente música popular. Ouvem sem prestar atenção, imaginando que não há perigo algum nisso. Mas se esquecem de que Satanás é um ser real, muito inteligente, e que nunca perde tempo. Ele sabe que música é algo que mexe profundamente com os sentimentos do ser humano; sabe que tipos diferentes de acordes, dispostos em sequências e ritmos diferentes, podem produzir sentimentos que influenciam a mente para aceitar o pecado ou para se afastar de Deus; sabe que esses sentimentos, se repetidos, fixam padrões de conduta ou resposta. Assim, é importante saber que o que entra no cérebro humano pelos sentidos influenciará de algum modo, para o bem ou para o mal. O conceito teológico do Grande Conflito nos revela que neste mundo simplesmente não existe coisa alguma absolutamente neutra.

Além disso, existe o fato de que essas músicas são compostas e apresentadas por pessoas que não têm o menor compromisso com Cristo. Por isso, a grande maioria das letras não apenas desconhece a Deus, mas de maneira sutil (utilizando às vezes processos subliminares) ou mesmo aberta, introduzem na mente dos ouvintes o sistema de vida do inimigo de Deus.

Quando comecei a me voltar para Deus, todas essas ideias me levaram a abandonar o rock, mas continuei apreciando a música popular (brasileira e internacional). Ouvia na casa dos meus amigos ou em lojas especializadas, porque, como disse anteriormente, meus pais não permitiam que as escutasse em casa. Eu achava isso uma exigência exagerada da parte deles. Mas, com o passar do tempo, percebi claramente que esse tipo de música, apesar de não ser aparentemente tão agressivo quanto o rock, tirava me quase que completamente o gosto pelas coisas de Deus, e diminuía muito minha resistência contra o pecado.

E o que dizer das músicas sacras com estilo pop?

Abandonar a música popular representou para mim uma luta muito grande. Talvez seja por esse motivo que tenho hoje sérias dificuldades para adorar a Deus quando ouço na igreja música tipicamente popular, com letra sagrada. A música popular, por suas próprias características musicais, tende a privilegiar mais o movimento corporal, o prazer sensorial e os instintos mais baixos em detrimento da introspecção, da razão e do raciocínio lógico, essenciais para a comunhão com Deus. Não podemos nos esquecer de que, depois da queda, nossos instintos passaram a estar sob influência da natureza pecaminosa.

Já a verdadeira música sacra apela aos instintos mais nobres, como o da busca do espiritual, por exemplo, e isto requer introspecção, paz. Esse tipo de música, talvez por estar em oposição à nossa tendência pecaminosa, acaba sendo naturalmente muito menos atrativo à pessoa que não possui discernimento espiritual. A confusão acontece quando existe a mistura dos dois elementos – música popular com letra sagrada. Acontece então uma falta de integridade, uma inconsistência entre a letra e a música. A música “fala” uma coisa e a letra, outra. O cérebro percebe essa incoerência, que pode ser transferida também para a vida espiritual. O próprio Espírito Santo não pode trabalhar e, então, como diz Ellen White, as mesmas verdades que deveriam converter, podem acabar endurecendo (cf. Testemunhos Seletos, v. 2, p. 291).

Por experiência descobri que não pode haver harmonia entre a luz e as trevas. “Não toqueis em coisas impuras; e Eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo poderoso” (2 Coríntios 6:17, 18).

Você também gostava muito de televisão. Como a televisão prejudica a espiritualidade do cristão?

Existe um princípio básico que rege o funcionamento da mente humana, que afirma que ela simplesmente não consegue resistir à repetição. Tente, por exemplo, não pensar no resto da frase que eu vou começar: “Água mole em pedra dura...” O simples fato de você provavelmente ter completado mentalmente esse provérbio popular é uma demonstração de que a repetição da frase já marcou seu cérebro, e você não pode mais tirar essa informação de lá.

Esse é um princípio que pode ser utilizado tanto por Deus quanto pelo inimigo. Sobre esse princípio apoiam se todos os sistemas de lavagem cerebral, como as mensagens subliminares, por exemplo. Você pode escolher conscientemente o que vai influenciar sua mente, mas depois de estar exposto a essa influência, sua capacidade de resistir a ela fica muito reduzida. Satanás, que é um profundo estudioso da mente humana, serve se da TV e outras mídias para criar emoções e prender a atenção, prejudicando a capacidade de escolha. É por isso que muita gente acaba se sujeitando a ver coisas com as quais não concorda. Parece que não conseguem desligar a TV ou sair de um site. Tudo que emociona ou choca, sejam novelas, filmes, seriados, jornais ou até programas esportivos, acabará, por assim dizer, fortalecendo as sinapses (ligações entre os neurônios) correspondentes, que finalmente se tornarão no caminho mais fácil e natural para um dado impulso nervoso.

É assim que o pecado se torna mais automático e natural que a santidade. Dessa maneira, martelando sua ideologia na mente dos incautos, Satanás consegue vendê la ao preço que quiser. E acaba custando muito caro. Às vezes a família; outras vezes a honra, a saúde ou mesmo a salvação.

Conte como foi a sua conversão.

Certo dia, quando, de namoro a estudos, nada estava dando certo em minha vida, entre brincadeiras e conversas dentro da igreja, ouvi um pregador que tentava provar à congregação que a Bíblia era mesmo um livro de origem divina. Já que intimamente também punha em dúvida a origem da Bíblia, a ousadia do pregador despertou me a atenção, e escutei, talvez para que depois pudesse ridicularizar seu raciocínio. Depois de falar do cumprimento das profecias que envolvem o fator tempo, desafiou: “Se sua vida vai mal (era o meu caso) e você quer descobrir se a Bíblia é mesmo o livro de Deus, faça um teste: comece a lê-la todos os dias e procure obedecer a tudo o que Deus lhe mandar. Se sua vida continuar a mesma ou piorar, então desista da Bíblia e de Deus. Mas se a vida começar a melhorar depois disso, não será uma evidência da existência do poder que lhe deu origem?” Eu pensei: “Por mais que, com minhas próprias forças, eu queira fazer minha vida melhorar, ela piora cada vez mais.” Naquele momento, percebi que minha vida só poderia melhorar com auxílio sobrenatural. O pastor também desafiou todos a orarem secretamente e a esperar por respostas.

Tudo aquilo me fez refletir, e resolvi começar a ler a Bíblia por mim mesmo. Comecei por Gênesis e encontrei profundo prazer na leitura, tentando descobrir toda e qualquer ordem de Deus para que então pudesse obedecer. Comecei também a orar e a fazer pedidos a Deus. Fazia tudo secretamente, porque não queria despertar expectativas ou possíveis cobranças por parte das outras pessoas. Mas muito rapidamente constatei minha fraqueza e incapacidade para cumprir aquilo que descobria ser a vontade de Deus, e fiquei muito desanimado. Minha vontade não estava em harmonia com a do Céu. Sabia o que Deus queria que eu fizesse, mas não encontrava prazer em obedecer. Imaginei que, como era muito fraco, as coisas espirituais não eram mesmo para mim.

Foi então que ouvi também um sermão do pastor Alejandro Bullón, dizendo que ninguém precisa esconder de Deus suas fraquezas, e que a gente pode até dizer para Deus que está gostando do pecado, porque Ele sabe de tudo e nos ama mesmo assim. É Ele, pelo Seu poder, “quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2:13). O pastor falou também que o ramo, em lugar de se esforçar para produzir o fruto, concentra esforços em permanecer ligado à videira. Assim, descobri o grande segredo, e parei de ficar olhando apenas para os meus pecados e fraquezas, tentando me tornar santo pela minha própria obediência, e comecei a olhar para o Senhor, para a santidade dEle, diariamente, pela manhã, e “em primeiro lugar” (Mateus 6:33).

sexta-feira, setembro 02, 2011

Na mira da verdade

Leandro Soares de Quadros nasceu em Palmeira das Missões, RS, em 16 de junho de 1979. Formado em Comunicação Social, pós-graduado em Jornalismo Científico, atualmente ele cursa o mestrando em Teologia na Argentina. Leandro foi instrutor bíblico durante oito meses, em 1999. Depois foi para a rede Novo Tempo de comunicação, onde atuou como consultor bíblico, conselheiro espiritual, produtor e apresentador de TV e rádio. A esposa se chama Nayara e eles têm uma filhinha que completa um ano neste mês, a Yasmin. “O prazer de minha vida é estar com minha esposa, filhinha e dar boas risadas com meus irmãos, pais, avós e cunhados”, diz ele.

O apresentador do programa “Na Mira da Verdade”, um dos mais apreciados da TV Novo Tempo, gosta de jogar futebol, mas a leitura é sua atividade preferida. “Estou sempre sublinhando uma Bíblia nova (estou na quinta Bíblia) para memorizar novos textos e fazer novas cadeias de textos para estudo. Dá-me grande paz ao coração ler os escritos de Ellen White, nos quais posso aprender novas referências bíblicas para estudar as verdades divinas e conhecer mais sobre mim mesmo, para saber lidar com minhas emoções”, diz. Seu livro preferido é a Bíblia e, mesmo lendo outros materiais excelentes, ele nunca deixa de priorizar a Palavra de Deus.

“Aprecio livros apologéticos e uma boa teologia sistemática. Um livro que me ajudou muito em meu trabalho foi o Questões Sobre Doutrina, da Casa Publicadora Brasileira. Os que transformaram minha vida foram: Vida de Jesus, Caminho a Cristo, Mente, Caráter e Personalidade (v. 1 e 2), Parábolas de Jesus e O Desejado de Todas as Nações, todos de Ellen White.

Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, Leandro Quadros fala um pouco mais de sua vida e atividades:

Você não nasceu em lar adventista. Conte como foi sua conversão.

Não sou de família adventista, porém, hoje meu pai é batizado (meu irmão é adventista desde 1996, assim como eu) e minha mãe, irmã e avós estão com o coração mais sensível ao evangelho. O que fez com que me convertesse foi uma experiência sobrenatural que tive com Deus (a conversão não necessita de uma experiência incomum para ocorrer). Em 1996, eu voltava de um treino de futebol quando, ao parar na frente da Igreja Adventista, senti uma vontade enorme de entrar. Pensei: Não posso ir a essa igreja do jeito que estou – de bermuda, chuteira, camiseta e cabelo comprido na altura do ombro. Vou embora. Ao dar dois passos (lembro-me como se fosse hoje), ouvi uma voz em minha mente dizendo: “Se você não entrar na igreja hoje se arrependerá depois.” Isso me assustou e decidi ser obediente.

Fui muito bem recebido e me sentei no penúltimo banco da igreja em Palmeira das Missões, RS. Ao ouvir o pastor falar sobre o batismo de Jesus, senti um forte desejo de ser batizado e de expressar publicamente minha fé nEle. Por incrível que pareça, mesmo tendo uma baixa autoestima tal que me impedia de levantar o braço numa sala de aula para fazer perguntas, fui até a frente do jeito que estava e aceitei a Cristo como meu Salvador pessoal. Estudei a Bíblia durante três meses, fui batizado e hoje estou aqui.

Lembro-me de que, no início daquele “primeiro amor”, estudei a Bíblia por 20 horas seguidas, ao ponto de minha mãe pensar que eu estava virando um fanático. Hoje ela e eu sabemos que Deus estava dando início ao meu preparo para o tipo de trabalho que realizo.

Minha vida sofreu uma transformação drástica. Um indivíduo que só pensava em futebol e que não conseguia conversar com a própria mãe sobre os problemas pessoais hoje se dedica à pesquisa e apresenta um programa ao vivo. A religião me tornou mais culto e deu um sentido real à minha vida. Fez-me amar mais as pessoas e a valorizar minha família.

O que mais lhe chamou a atenção na mensagem adventista?

O embasamento que essa mensagem tem na Bíblia. Fiquei impressionado com o respeito que a Igreja Adventista tem para com o texto bíblico a ponto de usar vários deles para entender um único assunto. O estudo sistemático da Bíblia como é feito na Igreja Adventista chamou-me muito a atenção. Além disso, a forma como as pessoas me receberam na igreja mostrou-me que a maioria dos adventistas vive aquilo que prega, ou seja: pregam o amor de Cristo e amam as pessoas do jeito que elas são (Jo 13:35).

E seu gosto pela apologética, como começou?

Foi aos poucos. Logo que me tornei adventista, passei a dar estudos bíblicos de casa em casa e também no presídio de minha cidade natal. Quatro anos após minha conversão, fui trabalhar na Escola Bíblica, departamento que atende os interessados dos programas da TV Novo Tempo. Ali, ao responder dúvidas bíblicas por correspondência, e-mails e por telefone, fui me deparando com as mais diversas objeções à fé cristã e ao adventismo. Isso me levou a estudar mais ainda a Bíblia; a ir atrás de boas fontes e, no decorrer das respostas e debates, ao ver que minha fé era solidificada ainda mais ao comprovar biblicamente minhas convicções, peguei gosto pela apologética e hoje faço dela parte de meu ministério.

Fale sobre seu chamado para trabalhar na Novo Tempo e o começo do programa “Na Mira da Verdade”.

O “Na Mira da Verdade” nasceu da vontade de meu amigo Tito Rocha ter na grade de programação da Novo Tempo (NT) um programa de estudo da Bíblia. Logo que o pastor Odailson Fonseca chegou à NT, ele também tinha o desejo de colocar algo novo na programação e, ao ver-me citar de memória algumas referências bíblicas em um culto matinal na NT, convidou-me para encarar o desafio de apresentar ao vivo um programa de respostas a dúvidas bíblicas. Aceitei e, pela graça de Deus, no dia 25 de março de 2009, o programa foi ao ar pela primeira vez e hoje é um dos que têm maior audiência na TV Novo Tempo, apesar da “pouca idade”.

Com pouco mais de dois anos de existência, o “Na Mira” matriculou 38.452 novos alunos para estudar a Bíblia (nos seis primeiros meses deste ano de 2011, foram matriculados 10.645 estudantes). Atualmente, é o programa que mais traz pedidos de cursos bíblicos para a Escola Bíblica da Rede Novo Tempo, com uma média de 1.800 por mês.

Nosso blog tem uma média de 34 mil visitas por mês (com 90 mil páginas visitadas) e, desde janeiro deste ano até início de julho, os vídeos disponíveis na página novotempo.com/videos/namiradaverdade tiveram 119 mil acessos.

Tito e eu nos damos muito bem e sentimos que Deus tem atuado em nossa vida para que tenhamos aquele “sincronismo”. Ele tem sido fundamental para o êxito do “Na Mira”, pois, graças a ele, nunca começamos um programa sem antes fazer um breve culto de reflexão e orarmos pela equipe e pelas pessoas que manterão contato com a Bíblia.

Fica claro que você tem ótima memória e o dom de concatenar textos bíblicos. Sempre foi assim? Ou foi um presente de Deus?

Eu era uma pessoa limitada devido aos problemas emocionais que tive por ter crescido em um lar desestruturado, mesmo com pais e avós maravilhosos. Lembro-me de que no ensino médio já não tirava boas notas como no primário e perdi totalmente o gosto pelos estudos. Minha vida se resumia em jogar futebol, escutar heavy metal (o que prejudicava ainda mais meu sistema nervoso) e tomar café. Porém, quando aceitei a Jesus como meu salvador e Senhor, senti uma vontade enorme de dar estudos bíblicos. Foi aí que fiz uma oração ao Espírito Santo, pedindo: “Deus, ajude-me a memorizar os textos bíblicos para que eu possa ensinar Sua Palavra às pessoas.”

A partir daquela oração, minha mente passou a memorizar os textos bíblicos com facilidade. Não decoro nada, apenas memorizo, entendo e reflito sobre o assunto para argumentar. Deus atendeu-me a oração e hoje posso dizer que a memória que tenho não é minha, mas um presente dado por Ele!

Que outros milagres Deus tem operado em sua vida?

Deus tem efetuado grandes transformações em mim e me conscientizado de falhas em minha vida para as quais necessito de mudança. Hoje tenho uma visão maior de quem sou e do que eu preciso (Jesus Cristo). Sinto mais paz no coração e confiança de que Deus é maior que meus pecados e imperfeições. Ele me deu uma esposa maravilhosa e uma filha que é um pedacinho do Céu. Agora, Ele me abriu as portas para a publicação de um livro que, mesmo ainda não estando impresso, já conta com muitos interessados em adquiri-lo.

Outro milagre é ver minha mãe, a cada dia, entregando-se mais a Deus, como meu pai já o fez. Ela tinha um coração mais “duro”, mas, hoje, mesmo sem ser batizada, ajuda as pessoas pelo Orkut, dando-lhes conselhos baseados na Bíblia. Isso me deixa superfeliz e, ao mesmo tempo, assombrado com o poder de Deus em mudar o ser humano.

O “Na Mira” tem tido boa aceitação do público. Acha que isso revela a carência da igreja de uma apologética mais popular e o interesse do público em geral por temas bíblicos?

Sua pergunta revela sua sensibilidade para detectar alguns dos reais problemas que enfrentamos. O público se interessa por temas bíblicos porque quer ter suas dúvidas esclarecidas. As pessoas têm sede de entender a Bíblia. Ao mesmo tempo, nossa igreja está carente na área apologética. Saímos de um extremo (apologética agressiva) para outro (quase zero de apologética) e isso tem se refletido negativamente em nossas igrejas. Vemos membros que não sabem defender os pilares da fé e muito menos as doutrinas distintivas do adventismo (santuário e juízo investigativo, imortalidade condicional do ser humano, dom profético manifestado na pessoa de Ellen White e reforma de saúde).

Creio na importância de materiais devocionais para animar os membros na fé. Porém, a ênfase exagerada no devocional – que não leva ao estudo sério da Bíblia – está produzindo adventistas “anêmicos” espiritualmente e despreparados para enfrentam os duros ataques doutrinários que ainda virão.

Conte-nos algumas experiências marcantes relacionadas com seu trabalho na Novo Tempo.

Temos tido muitas histórias de conversões e de pessoas aceitando as verdades bíblicas defendidas pelos adventistas. As histórias mais recentes são a da Dra. Ana Periotto, médica cardiologista que, por intermédio do programa e dos artigos apologéticos do blog, abandonou o pentecostalismo e hoje é adventista do sétimo dia na cidade de Santos, SP.

Há algumas semanas, o amigo Matheus Amaral foi batizado em São José dos Campos, SP, por influência direta do programa. Ela era seminarista e decidiu-se pelo adventismo depois de ter sido confrontado com a Bíblia.

Uma pastora pentecostal que mora em Barreiras, BA, após assistir a uma explicação que dei sobre o dom de línguas, decidiu reler Atos 2 – texto sobre o qual ela havia pregado tantas vezes – e, depois de relutar bastante, deixou de lado o falso dom de línguas e hoje é uma líder fervorosa na Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Há ateus que acompanham o “Na Mira” e inclusive estão estudando a Bíblia conosco. Um deles me disse: “Olha, não creio em Deus e não gosto de religião alguma. Porém, no horário do programa não recebo nem visitas em minha casa.”

Já recebi contato de três pessoas que abandonaram a maçonaria por intermédio do programa. Conheço a história de dois ex-mórmons e vários ex-pastores e ex-testemunhas de Jeová, entre eles a de um professor de História que, mesmo tendo lido a Bíblia 11 vezes, disse-me por e-mail que agora, sim, conhecia a verdade e que está se tornando adventista.

Lembro-me de uma vez ter chegado a uma igreja em que uma senhora me abordou, dizendo: “Leandro, eu tinha uma raiva enorme do seu programa, pois eu era testemunha de Jeová. Porém, graças ao ‘Na Mira’, hoje estou aqui como membro da Igreja Adventista.”

Há muitas outras histórias. Tenho divulgado essas histórias maravilhosas na newsletter da Novo Tempo, publicada mensalmente. No blog (www.namiradaverdade.com.br) há muitos depoimentos de pessoas que têm aceitado as verdades bíblicas e tido outra visão sobre o adventismo por causa do trabalho apologético que fazemos também pela internet. Por meio dos artigos do blog, várias pessoas foram batizadas (entre elas, a Dra. Ana Periotto), o que me leva a crer que o problema não está na mensagem apologética e apocalíptica que apresentados, e sim na maneira pela qual tornamos nossa mensagem acessível às pessoas.

Vejo evidência disso também no número de alunos que matriculamos para estudar a Bíblia por correspondência (como dito anteriormente, pouco menos de 39 mil alunos).

Ao longo dos anos, você tem mantido contato direto com muitos opositores da fé adventista. Quais são as maiores objeções e qual a sua avaliação de tudo isso?

As maiores objeções que tenho enfrentado dizem respeito às doutrinas fundamentais do adventismo. Os críticos atacam esses pilares porque, se conseguirem derrubá-los, acabam com nossa razão de ser adventistas.

O dom profético manifestado na pessoa de Ellen White tem sido seriamente questionado e creio que precisaremos de mais livros na língua portuguesa para enfrentar o que vem por aí.

Vejo que Apocalipse 12:17 está se cumprindo com maior intensidade. O texto diz que o “dragão” (diabo) está irado contra a “mulher” (igreja) e isso tem se manifestado nos ataques que temos recebido. Hoje existe até mesmo uma Bíblia de Estudo para “refutar os adventistas”, e a minha pergunta é: Nossos irmãos estão preparados para refutar os mais de 80 textos “reexplicados” por essa Bíblia?

Você já participou de debates teológicos em outras emissoras de TV, como a RIT. O que pode nos contar sobre isso?

Participei de dois debates na RIT TV (Rede Internacional de Televisão), que pertence ao missionário R. R. Soares. No primeiro deles, pude dialogar com o Dr. Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, sobre a imortalidade da alma. Após isso, mantivemos alguns contatos. Dei dos livros de presente para ele a respeito do assunto (um deles foi o Imortalidade ou Ressurreição?, de Samuel Bacchiocchi), mas, infelizmente, não tivemos mais contato.

O segundo debate foi em agosto de 2011 e o tema foi alimentação saudável na Bíblia. De um lado, eu defendia que comer errado é pecado, pois, ao 1 João 3:4 dizer que “pecado é a transgressão da lei”, está se referindo também à desobediência às leis de saúde. Do outro lado, o pastor Othoniel Rodrigues, palestrante do Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), defendeu a ideia de que comer mal não é pecado.

O pastor Rodrigues e eu trocamos alguns e-mails bem amigáveis e pretendemos, noutra ocasião, nos encontrar para bater um papo.

Deus está abrindo portas para a igreja mostrar sua doutrina bíblica em emissoras de irmãos evangélicos. Por isso, temos que obedecer ao que Deus nos pede em Colossenses 4:5: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades.” E não precisamos temer “porque o Espírito Santo vos ensinará, naquela mesma hora, as coisas que deveis dizer” (Lc 12:12).

Você esteve recentemente nos Estados Unidos, visitando locais significativos para a Igreja Adventista. Fale um pouco sobre isso e sobre o que mais o impressionou lá.

Conhecer de perto os lugares históricos no país que foi o berço do adventismo deu-me um senso de missão impressionante. Ao conhecer o esforço de nossos pioneiros para levar a mensagem adventista, senti-me motivado a cumprir minha parte na expansão desse movimento. Fiquei impressionado com a história da vida de Ellen White. Quando estive na casa dela, em Santa Helena, Califórnia, soube que em algumas noites, quando ela recebia visões de Deus, os vizinhos enxergavam uma forte luz pela janela do quarto dela. Estive lá e a sensação foi incrível!

Por que resolveu cursar jornalismo científico e o que está achando do mestrado na Argentina?

Cursei jornalismo científico porque creio não haver dicotomia entre boa ciência e religião. Durante a graduação, percebi que poderia ser um religioso e, ao mesmo tempo, divulgar a ciência e a tecnologia (função do jornalismo científico). Além disso, as técnicas de comunicação do jornalismo científico são muito úteis na hora de comunicarmos. Como sou um comunicador no rádio e na TV (bem como na web), percebo que técnicas aprendidas na pós-graduação podem ser perfeitamente usadas para comunicarmos a mensagem da Bíblia, que trará esperança ao nosso mundo em crise.

O mestrado na Argentina (em Teologia) é de excelente nível. Além de poder me familiarizar com o idioma, estou tendo a oportunidade de aprender com grandes mestres, além de poder ser orientado em minha dissertação por um dos maiores teólogos que temos no mundo, o Dr. Alberto R. Timm.

O título do meu trabalho é “Críticas aos adventistas na literatura não adventista brasileira”. Vou apontar as distorções históricas, doutrinárias e aquelas feitas sobre nosso estilo de vida adventista. Creio que será um trabalho útil para a igreja e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade para o público protestante ver o grande número de “bolas foras” que os apologistas brasileiros dão quando o assunto é adventismo.

Quais seus planos futuros.

Quero contribuir para aumentar a área de atuação do programa “Na Mira da Verdade” e do “Lições da Bíblia”, que apresento no rádio. Além disso, tenho um grande sonho de continuar publicando meus livros apologéticos e de cursar um doutorado (se assim Deus o permitir).

terça-feira, maio 24, 2011

Cientista criacionista publica artigo na Science

Rodrigo Mendes nasceu em junho de 1979, em Limeira, SP. A irmã dele é professora de Português no Unasp e o irmão é biólogo, cursando doutorado na USP. Casado há cinco anos com Ana Paula (professora de Língua Portuguesa), Rodrigo é pai do Guilherme, de um ano de idade. Após a graduação em Engenharia Agronômica (USP), com especialização em Biotecnologia, Dr. Rodrigo obteve o doutorado na mesma instituição, com período de um ano na Universidade de Wageningen, Holanda. Antes de cursar o pós-doutorado, ele trabalhou como melhorista genético na multinacional americana Monsanto, para então retornar à Universidade de Wageningen, a fim de trabalhar como pesquisador associado de pós-doutorado, com períodos de trabalho na Universidade de Lausanne e Universidade da Califórnia, Berkeley (foto acima). Após dois anos, retornou ao Brasil para assumir a função de pesquisador A na Embrapa, nas áreas de ecologia microbiana e genética molecular. Seus hobbies incluem coleções, leitura, fotografia, futebol com os amigos e música cristã contemporânea.

Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, o Dr. Rodrigo (que teve um artigo recentemente aprovado para publicação na prestigiada revista Science) fala sobre suas pesquisas e sua visão de mundo relacionada ao criacionismo e ao design inteligente.

Descreva em linhas gerais sua pesquisa.

O estudo revelou que da mesma forma que humanos hospedam micro-organismos para evitar infecções, as plantas dependem de uma complexa comunidade de micro-organismos do solo para se defenderem de patógenos. O conhecimento detalhado da interação entre as plantas e essas comunidades permitirá sua exploração para benefícios na agricultura, como, por exemplo, o desenvolvimento de técnicas sofisticadas de controle de doenças. [Para mais detalhes sobre a pesquisa, confira aqui e aqui.]

E a publicação na Science, como foi?

O estudo envolveu a participação de onze cientistas das universidades de Wageningen, Utrecht e Berkeley, ao longo de seis anos. Fui o responsável pela maior parte dos experimentos, análise dos dados e contextualização do impacto da pesquisa na ciência atual. A redação foi realizada principalmente por mim e pelo líder da pesquisa (último autor), mas com constantes revisões dos demais autores. Quando finalizamos a versão a ser submetida, enviamos o trabalho a um cientista de renome (e geralmente editor de importantes revistas) para uma leitura crítica. Com isso, tínhamos o texto pronto para ser submetido.

O texto segue pelo fluxo the peer review [revisão por pares], que, no caso da Science, tem como primeiro filtro o editor, que normalmente consulta mais dois ou três colegas do corpo editorial, em 48 horas. Em caso de consenso, o texto é enviado para outros três cientistas especialistas no campo de pesquisa escolhidos pelo editor para uma avaliação profunda e crítica do mérito do trabalho. Em caso de aprovação, devido à sua importância, alguns trabalhos ainda são selecionados para serem publicados on line ahead-of-print na Science Express, como foi o caso do nosso. Posteriormente, é publicada a versão impressa.

A Science publica apenas trabalhos de forte influência na ciência mundial atual, e com a condição de representar um significativo avanço no entendimento científico. O trabalho deve ter o mérito reconhecido pela comunidade científica e também pelo público geral. Por causa disso, as chances de publicar na Science são extremamente remotas. Mesmo trabalhos excelentes são rejeitados e os autores devem encaminhar a revistas especializadas. Como consequência de tudo isso, os autores que publicam trabalhos na Science têm um prestígio muito grande e são considerados como parte da elite da comunidade científica mundial.

Você tem doutorado e pós-doutorado na área de genética. Ao se deparar com a complexidade do genoma humano, o próprio diretor do Projeto Genoma, Francis Collins, deixou de ser ateu. O que você pode dizer dessa área em relação ao design inteligente e à origem da informação complexa e específica?

O Dr. Collins teve uma experiência extraordinária, na qual encontrou Deus através do conhecimento da natureza. Nesse sentido, sinto-me privilegiado em ter encontrado Deus antes. Isso permitiu que meu conhecimento da natureza fosse acompanhado pelo crescimento do entendimento de Deus. Tenho experiência em genomas bacterianos, os quais, apesar de serem muito menores que o genoma humano, não deixam de ser tão complexos quanto. Mesmo nos seres mais “simples” e unicelulares, existem fortes evidências de que os mecanismos complexos tiveram origem repentina. Pesquisas recentes têm revelado que o genoma humano e mesmo o das plantas (estudo da Science) não funcionam sozinhos; dependem de e estão associados aos milhares de outros genomas de microrganismos que vivem em íntima relação com seu hospedeiro. Nesse contexto, podemos dizer que os humanos possuem um segundo genoma chamado de microbioma.

Quais você acha são as maiores fragilidades da teoria da evolução e do modelo criacionista?

No contexto da metodologia científica, ambos têm suas limitações. Na teoria da evolução, não podemos provar a existência de um ancestral universal – que é a base da teoria; e no modelo criacionista, não podemos provar a existência do Criador.

Por queexiste tanto preconceito no meio acadêmico e na mídia secular contra pesquisadores criacionistas?

O preconceito parece ainda ser um reflexo desencadeado pelo Iluminismo. Aparentemente, no meio acadêmico, o criacionismo está fortemente associado às ideias medievais de um período em que o conhecimento foi monopolizado pela igreja cristã da época.

Por ser criacionista, você enfrentou algum tipo de preconceito durante seu tempo de estudos?

Felizmente, não.

O método científico (naturalismo metodológico) é uma boa ferramenta humana. Mas o que dizer do naturalismo filosófico que muitas vezes “contamina” as pesquisas científicas?

Esse pensamento é fruto da falta de reconhecimento das limitações humanas. O fato de não termos ferramentas para acessar e entender algo, não quer dizer que ele não exista.

Há quem diga que o criacionista não pode ser um bom cientista. O que você diz disso?

Ser cientista não significa ser evolucionista. Um cientista legítimo mantém a mente aberta e reconhece as limitações do método científico. Essa é uma postura de humildade diante da natureza.

Como foram as bases da sua educação?

Estudei na escola adventista do 5º ao 8º ano do ensino fundamental. Os demais anos do ensino fundamental, médio e superior foram cursados no sistema público de educação. Nasci em família adventista e, durante minha infância, estive envolvido com todas as atividades proporcionadas pela igreja, como clube de desbravadores, conjuntos e corais. Como tive o privilégio de pertencer a uma igreja jovem e vibrante (a Igreja Adventista Central de Limeira), servi em várias funções de liderança, incluindo diretoria da Escola Sabatina, do coral jovem, do Ministério Jovem e ancionato.

Como você avalia a controvérsia entre o criacionismo e o evolucionismo?

Há alguns anos, assisti a um debate sobre evolucionismo e criacionismo realizado no campus da Unesp, em Rio Claro. De um lado, alguns professores da Unesp, e de outro, os Drs. Rui Vieira, Nahor Neves de Souza Jr. e outros. Esse, assim como outros debates, tomou rapidamente o rumo das discussões pessoais e filosóficas. Infelizmente, a postura das pessoas que participam desses fóruns é extremamente defensiva e não permite uma discussão sincera no campo da ciência. Como adventistas, deveríamos ter toda a tranquilidade em expor nosso modelo e reconhecer suas falhas. Um exemplo dessa postura é a agressividade de Richard Dawkins, no livro Deus um Delírio, mas ela não é tão diferente do tom irônico e também agressivo de alguns criacionistas, que tratam de um assunto muito interessante, mas num discurso não tão seguro. Até aqui, tenho concluído que a melhor maneira de lidar com esse assunto consiste em expor com segurança nossos pensamentos, mas sem ataques gratuitos aos evolucionistas; que a crítica seja dirigida ao evolucionismo.

O que você tem a dizer sobre o blog www.criacionismo.com.br, levando em conta que ele é mantido por um jornalista interessado, mas leigo em ciências?

Não é por acaso que o blog tem cerca de três mil visitas por dia. Você tem realizado um trabalho excelente que tem servido de referência não apenas no meio adventista. Os pontos fortes são a atualização e a seleção dos tópicos. Desejo que Deus continue lhe inspirando nesse trabalho.

sexta-feira, abril 22, 2011

Terra de Esperança

Floyd Greenleaf nasceu em setembro de 1931, em Braintree, Vermont, Estados Unidos. Estudou no Southern Missionary College, onde se formou em História e Religião. É mestre em ciência com ênfase em história e Ph.D em história latino-americana. Lecionou por vários anos, desde o ensino fundamental, passando pelos ensinos médio e superior, tendo sido também vice-presidente acadêmico do Southern College of Seventh-day Adventists, de 1987 a 1996. Autor de inúmeros artigos publicados em diferentes periódicos, escreveu também os livros Light Bearers: A History of the Seventh-day Adventist Church, em coautoria com Richard Schwarz (publicado em português pela Unaspress com o título Portadores de Luz); In Passion for the World: A History of Seventh-day Adventist Education; entre outros. Casado com Betty June Wallace, tem três filhos.

Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, o Dr. Greenleaf fala sobre o livro Terra de Esperança, que a Casa Publicadora Brasileira lança no mês de maio, e sobre os primórdios do adventismo no continente sul-americano:

Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a história do adventismo na América do Sul?

Eu não sei dizer a hora ou o lugar, mas, em algum momento, durante meus estudos do doutorado em história da América Latina, surgiu a ideia de que eu deveria conhecer mais sobre o Adventismo nos países os quais eu estava estudando. Em benefício dos alunos que se matricularam na aula de História da América Latina, na qual lecionei, planejei escrever apenas um breve relato do desenvolvimento de nossa igreja. O projeto cresceu muito mais do que eu havia previsto no princípio.

O livro do pastor pioneiro Frank Westphal, no qual ele narra o trabalho que realizou neste continente, tem como título Pioneering the Neglected Continent (Desbravando o Continente Negligenciado). Por que o senhor acha que ele deu esse título ao livro? O senhor concorda que este tenha sido um “continente negligenciado”?

Frank Westphal não foi o primeiro ou o último a empregar o termo “continente negligenciado” para a América do Sul. Foi uma expressão popular entre os estudiosos e escritores no fim do século 19 e ainda no século 20. Provavelmente, expressava o fato de que muitos falharam em valorizar a importância da América do Sul e o papel que iria exercer em questões mundiais.

Que fontes o senhor pesquisou para escrever Terra de Esperança?

A história geral sobre a América Latina estabeleceu um contexto para o lugar que o Adventismo preencheu na América do Sul. Minha fonte mais rica foram correspondências nos arquivos da Associação Geral. Eu li milhares de cartas de missionários e obreiros sul-americanos. Centenas de artigos de revistas argentinas, brasileiras e norte-americanas proveram muitas informações, assim como artigos do South American Bulletin. Também li muitos relatos pessoais que missionários e obreiros sul-americanos escreveram. Dependi de sul-americanos que finalizaram estudos do adventismo em sua região. Também realizei entrevistas com líderes da igreja; alguns deles sul-americanos. Fiz uma pesquisa limitada nos arquivos nacionais dos Estados Unidos, em Washington.

De tudo o que o senhor pesquisou e leu para produzir sua obra, mencione alguma situação que mais o marcou.

Minha pesquisa ampliou e enriqueceu minha compreensão sobre nossa igreja, o que tem sido de valor inestimável para mim. Desenvolvi maior admiração pela maneira como nossa denominação trabalha. Uma das maiores satisfações foi ver quantos sul-americanos estudaram sua própria região e o papel que eles desempenham na organização adventista global. Lendo o que os sul-americanos escreveram e vendo o que eles fizeram, isso me ajudou a ver o crescimento do adventismo sob um ponto de vista favorável. Uma das mais memoráveis experiências aconteceu em 1977, quando minha esposa e eu passamos um mês visitando a América do Sul. Começamos essa viagem no Peru e terminamos com a visita à Brasília e um passeio pela nova sede da Divisão Sul-americana – para ver com meus próprios olhos alguns dos lugares com interesse histórico e denominacional na América do Sul. Foi uma experiência inesquecível, que não apenas me deu uma noção do continente, mas também foi muito inspiradora.

O adventismo alcançou o Brasil por meio das publicações. Graças à leitura de livros e revistas que aqui chegaram antes dos missionários de carne e osso, muitas pessoas já haviam abraçado a mensagem adventista antes de terem contato com os primeiros evangelistas e pastores. Como o senhor avalia o papel da página impressa no trabalho de evangelismo no continente sul-americano, ontem e hoje?

Nós nunca deveríamos subestimar o impacto da literatura no desenvolvimento do adventismo na América do Sul ou em qualquer outro lugar. As histórias dos começos do adventismo são todas parecidas: alguém leu um artigo ou um livro que levantou dúvidas e a busca pela verdade bíblica começou. É o cumprimento da visão de Ellen White em 1848, quando ela viu materiais publicados circulando a terra como torrentes de luz. Nós temos muitas maneiras eletrônicas de comunicação hoje, mas, apesar do quão eficiente nossa tecnologia possa ser, nunca devemos minimizar a importância do material impresso.

Nos primórdios do adventismo no Brasil, a literatura foi espalhada pela região de Brusque, SC, por meio de mercadorias embrulhadas em páginas de revistas adventistas e até mesmo graças a um bêbado que trocava as publicações por cachaça (confira aqui). Que outras situações inusitadas que revelam a ampla atuação de Deus o senhor encontrou em suas pesquisas?

Uma experiência semelhante ocorreu quando as famílias Peverini e Dupertuis, na Argentina, à parte uma da outra, leram o relato de um batismo adventista na Europa, no qual o autor fazia comentários jocosos. Em vez de convencer essas duas famílias de que o adventismo era uma tolice, o artigo despertou interesse nos leitores a ponto de procurarem mais informações sobre o assunto. No fim, eles se tornaram os primeiros crentes adventistas na América do Sul. Veja que benção essas famílias foram para nossa igreja! Dificuldades extremas frequentemente produzem uma fé mais forte e comprometimento, em vez de uma atitude de derrotismo.

Além da literatura, que outros meios de evangelismo tiveram grande sucesso na disseminação do adventismo na América do Sul?

Sob meu ponto de vista, os sul-americanos estão na vanguarda do evangelismo público transformador, tornando a verdade bíblica relevante socialmente, bem como espiritualmente atrativa. E, é claro, a tecnologia contemporânea tornou viável para evangelistas alcançar milhares de ouvintes muito mais facilmente do que antes. No entanto, por mais surpreendente que essas técnicas sejam, a participação de tantos sul-americanos na conquista de pessoas me impressionou como uma distintiva característica do evangelismo sul-americano.

Inicialmente, o adventismo teve maior penetração nas colônias alemãs, especialmente no Brasil, onde, até 1904, a pregação estava praticamente restrita a esses grupos. Por que foi assim?

Essa é uma história interessante. Durante o século 19, muitos alemães deixaram seus lares na Europa para procurar condições mais adequadas de vida em outro lugar. Alguns se estabeleceram nos Estados Unidos. Aproximadamente na mesma época, muitos colonos alemães que tinham vivido por anos na região do rio Volga e do Mar Negro tiveram problemas e migraram para a América do Sul e para os Estados Unidos. Conflitos religiosos foram grande parte da causa dessa migração.

Nos Estados Unidos, um número relativamente grande de imigrantes alemães se tornou adventista. Durante a década de 1890, na Alemanha, uma grande comunidade adventista emergiu nas proximidades da nossa casa publicadora em Hamburgo. Outra comunidade adventista se desenvolveu em Friedensau, onde uma nova escola gerou muitos missionários. O adventismo se desenvolveu muito bem entre os falantes de língua alemã e se espalhou de pessoa para pessoa, de país para país, por membros da família e amigos que escreveram um para o outro sobre isso.

Foi nas colônias alemãs na América do Sul que primeiramente surgiu o impulso mais forte do adventismo. Como os obreiros falantes da língua alemã estavam disponíveis, eles responderam ao chamado para ajudar. Foi necessário mais tempo para o adventismo gerar semelhante impulso entre as populações de fala espanhola e portuguesa.

Em sua opinião, por que é importante que os membros da igreja conheçam nossa história denominacional?

Se nós não entendermos nossas origens e onde estivemos, será muito difícil saber para onde estamos indo, por que estamos indo e como devemos chegar lá.

O que o leitor encontrará em seu livro? Por que lê-lo?

Eu enfatizei os começos do adventismo na América do Sul e segui falando sobre o crescimento das instituições. Após a 2ª Guerra Mundial, o evangelismo se tornou o mais poderoso tema no adventismo da América do Sul. Meu livro é bastante extenso e detalhado, mas eu tentei incluir suficientes histórias e pontos de interesse humano para tornar a leitura vantajosa. Espero que os leitores não apenas obtenham uma compreensão do adventismo na América do Sul, mas que experimentem a inspiração espiritual que a história representa.

quarta-feira, março 02, 2011

"Quando e por que me tornei vegetariano"

Michelson, qual a sua experiência com o vegetarianismo?

Eu era recém-convertido quando comecei meu curso de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, em 1992. Na pensão em que eu morava, havia alguns jovens estudantes adventistas; um deles cursava engenharia de alimentos e o outro, processamento de dados. Os dois eram vegetarianos. Nos tornamos amigos e eles viviam lendo para mim trechos dos livros A Ciência do Bom Viver e Conselhos Sobre o Regime Alimentar, de Ellen White. Aos poucos, fui me convencendo de que o estilo de vida orientado por Deus promove não apenas a saúde física, mas também a saúde mental e espiritual. Entendi que nossa mente (a “antena” de comunicação com o Céu) pode se tornar muito mais clara quando vivemos de acordo com as orientações divinas e nos alimentamos o mais corretamente possível.

Depois de orar e pensar bastante, tomei a decisão de abandonar a dieta cárnea. Tornei-me, então, ovo-lacto-vegetariano. Mas não foi fácil. Não apenas porque o cheiro de churrasco e do peru que minha mãe sempre preparava na noite de Natal me eram tentadores, mas porque na universidade foi difícil obter uma dieta apropriada e a um preço razoável. Como tinha pouco dinheiro, eu costumava almoçar no restaurante universitário, que servia refeições a preços baixos. Como eu não mais consumia alimentos impuros, como a carne de porco, bacon, etc., praticamente não podia comer o feijão servido ali, quase sempre acompanhado de bacon ou toucinho. Comia arroz branco, carne bovina ou frango e salada. Quando deixei de comer carne, sobraram o arroz e a salada. Comecei a ficar magro e mal nutrido. Deixei o assunto com Deus e disse-Lhe: “Senhor, Tu me convidaste a uma reforma alimentar, agora Te peço que resolvas minha situação.”

Naquela mesma semana em que orei, meus dois amigos vegetarianos e eu descobrimos que havia sido inaugurado um restaurante vegetariano no mesmo bairro em que estava localizada nossa pensão. O preço das refeições era um pouco alto para estudantes sem dinheiro. Mas contornamos a situação da seguinte maneira: cada dia um de nós ia ao restaurante, enchia uma marmita grande e depois, em casa, a repartíamos em três porções. Era o suficiente para cada um de nós, o alimento era delicioso e melhor: ficava quase ao mesmo preço do almoço no restaurante universitário! Naquela época, aprendi que, quando queremos fazer a vontade de Deus, ele abre as portas.

Ah, sim, com o tempo, o cheiro do churrasco e do peru não mais me atraíam. Deus mudou meus gostos. Sem contar que também me convenci de que não é justo, num país com abundância de alimentos vegetais, como o nosso, permitir que animais sejam mortos simplesmente para satisfazer meu apetite.

Você acha importante a mudança na alimentação? Por quê?

Não vou responder diretamente a essa pergunta. Deixarei que a autora que motivou minha decisão o faça: “Satanás... sabe que as pessoas que têm hábitos errôneos e corpo doente, não podem servir a Deus tão resoluta, perseverante e puramente como se fossem sãos. Um corpo doente afeta o cérebro. Com a mente servimos ao Senhor. A cabeça é a capital do corpo” (Ellen White, Spiritual Gifts, v. 4, p. 146).

“Satanás está constantemente alerta, para submeter a humanidade inteiramente ao seu controle. Seu mais forte poder sobre o homem exerce-se através do apetite, e este procura ele estimular de todos os modos possíveis” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 150).

“Mediante a satisfação do paladar, o sistema nervoso torna-se irritado e debilita-se o poder do cérebro, tornando impossível pensar calma e racionalmente. Desequilibra-se a mente” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 151).

“O Redentor do mundo sabia que a condescendência com o apetite traria debilidade física, adormecendo órgãos perceptivos de maneira que se não discerniriam as coisas sagradas e eternas” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 54).

“Muitos, por sua condescendência com o apetite, separam-se de Deus” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 159).

“Com a mente servimos ao Senhor” (Temperança, p. 14).

“Repetidamente tem-se-me mostrado que Deus está trazendo de volta o Seu povo ao Seu desígnio original, isto é, que ele não dependa da carne de animais mortos. Ele gostaria que ensinássemos ao povo um caminho melhor. [...] Se a carne for abandonada, se o gosto não for estimulado nessa direção, se a apreciação por frutas e cereais for encorajada, logo será como Deus no início desejou que fosse. Nenhuma carne será usada por Seu povo” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 82).

O que mais eu poderia dizer? Só me resta assinar embaixo e pedir forças a Deus para continuar buscando um “caminho melhor”.

Quais as dificuldades que você encontra na alimentação da família, principalmente das crianças?

Minha esposa também se tornou ovo-lacto-vegetariana mais ou menos na mesma época em que eu tomei essa mesma decisão, quando ainda nem nos conhecíamos. Ambos desfrutamos de mais saúde a partir de então. Meus filhos nunca comeram carne e espero que nunca o façam. Para eles, tudo é mais fácil, pois já nasceram nesse contexto. Eles consideram os animais como amigos, não comida. Atualmente, consumimos ovos caipiras, de vez em quando, e procuramos usar tanto quanto possível o leite de soja. Consumimos frutas e castanhas e bebemos sucos em lugar de cevada e refrigerantes (que minhas filhas odeiam, graças a Deus). Ainda temos muito para melhorar no que diz respeito ao estilo de vida saudável, que tem que ver não apenas com alimentação. Mas, com paciência, determinação, equilíbrio e, mais importante, com a ajuda de Deus, tudo é possível.

Quais os benefícios encontrados por você na alimentação natural e no estilo de vida saudável?

Vejo basicamente dois benefícios: o mais óbvio deles é a saúde de modo geral. E quando estamos fisicamente bem, a mente funciona melhor e podemos ser mais úteis a Deus e ao semelhante. Em segundo lugar, o estilo de vida saudável e o vegetarianismo mudam nossa maneira de encarar a vida. Quando abandonamos a dieta cárnea, nos tornamos mais sensíveis em relação à natureza. Passamos a ver os animais como “companheiros de planeta”, dignos e merecedores da vida. O que não podemos é ir a extremos a ponto de valorizar mais a vida dos animais do que a vida humana, ou de fazer da dieta nosso único assunto (a ponto de nos tornarmos vegechatos). Também não podemos ser intolerantes com as pessoas que vivem de maneira diferente. Temos que respeitar e amar as pessoas, e influenciá-las pelo exemplo de uma vida mansa, saudável e equilibrada.

Qual o conselho que você daria para as pessoas que gostariam de mudar a alimentação e ainda não conseguiram?

Que entreguem o caso a Deus (o maior interessado na saúde delas, de acordo com 3 João 2) e façam esforços decididos nessa direção. Comecem mudando um hábito de cada vez e progridam nessas mudanças. O importante é não desconsiderar o assunto como se fosse de menor importância, nem tampouco estacionar na reforma da vida. Devemos aprender e crescer sempre. Há pessoas que dedicam horas e horas para aprender como funciona um carro ou um computador. Leem manuais e buscam informações. Quanto mais vale o nosso corpo? Não deveríamos muito mais ler e estudar sobre o funcionamento do organismo a fim de mantê-lo nas melhores condições possíveis?

(Entrevista concedida pelo jornalista Michelson Borges ao blog Tudo Para Vegetarianos)

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Um jeito novo de viver

Ela deixou a fama de lado para encontrar a verdadeira felicidade

Ana Caram nasceu em Presidente Prudente, interior de São Paulo, em 1958. Aos 13 anos de idade já gravava jingles e ganhou vários prêmios interpretando canções próprias em festivais. Fez estudos de composição e regência na Unicamp, cantou em casas noturnas e viajou pelo mundo apresentando a música popular brasileira em países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e em lugares da Europa e África. Reconhecida por publicações importantes como o jornal New York Times, Ana foi citada por uma revista especializada entre os duzentos maiores cantores de jazz do mundo. Seu primeiro CD contou com a participação dos músicos Tom Jobim e Paquito D’Rivera e ajudou a difundir a bossa nova pelo mundo.

Mesmo no alto da fama e com uma carreira promissora, Ana afirma que nunca havia sentido paz e verdadeira realização, até que um dia encontrou esperança nas páginas da Bíblia Sagrada. Ana superou o preconceito que tinha contra o cristianismo, estudou as Escrituras e, finalmente, descobriu novo sentido para a vida. Ou seria a verdadeira “bossa nova”? A palavra “bossa” era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos cinquenta, significava “jeito”, “maneira”, “modo”. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que essa pessoa tinha “bossa”. Graças a Jesus, Ana descobriu um novo jeito de viver – o único que traz verdadeira paz.

Batizada em 2005 na Igreja Adventista do Sétimo Dia, desde então vem usando seu talento para honrar o nome de Deus. Nesta entrevista concedida a Michelson Borges, ela conta mais detalhes dessa bonita história de conversão.

Fale um pouco sobre sua infância numa família de músicos.

Fui criada num ambiente extremamente musical. Meu pai, Jamil Caram, grande músico de seresta e chorinho, toca violão, cavaquinho e bandolim. Somos cinco filhos, duas mulheres e três homens. Todos tocam e cantam. Os fins de semana sempre foram marcados por muita música e amigos em casa. Comecei a cantar em festinhas na escola e encontros em família. Compus minha primeira música aos dez anos de idade. Aos treze anos, gravei meu primeiro jingle. Cantei em festivais e sempre ganhei em primeiro e segundo lugar, e recebi também prêmios de melhor intérprete.

Como foi o início de sua carreira musical profissional e que decepções enfrentou nesse meio?

Comecei a cantar na noite em São Paulo e fiz isso por alguns anos. Um dia resolvi mudar para o Rio de Janeiro com o propósito de ser famosa; esse era o meu maior sonho. O Rio sempre foi a capital dos sonhos da fama.

Conhecendo pessoas do meio artístico, pude perceber que era impossível ter sucesso sem ceder meus princípios. O sentimento que eu tinha era de inadequação ao mundo e isso me deixava bem triste, pois queria alcançar o sucesso apenas com o meu talento, o meu trabalho. Sentia no coração um vazio e atribuía isso à falta de reconhecimento do meu trabalho musical. Desencadeou-se um processo de depressão muito forte. Eu chegava a passar dias num quarto fechado, sem comer, tomar banho; não queria ver ninguém.

Então fui buscar ajuda primeiramente em terapias e, depois, em seitas, religiões, centros espíritas de varias linhas, e nada de saciar minha sede e preencher meu vazio.

Um dia fui convidada por um grande músico saxofonista norte-americano, o Paquito D’Rivera, para ir à Finlândia com ele e realizar shows em festivais de jazz. Aceitei o convite e foi um sucesso total. Então pensei: “Agora minha vida vai dar certo e adeus tristezas.” Depois fui para Nova York com o Paquito. Ele me convidou para cantar com a banda dele no Carnegie Hall, no maior festival de jazz do mundo.

Nessa noite, depois da apresentação, você chorou no camarim. Por quê?

Eu achava que tudo iria mudar e que eu finalmente seria feliz. Mas, quando cheguei ao camarim, senti uma solidão enorme, embora houvesse um monte de pessoas querendo conversar comigo. Foi um sentimento dúbio. Depois daquele show, assinei contrato com uma gravadora e fiquei morando nos Estados Unidos. Gravei nove CDs pela Chesky Records. O primeiro teve participação de Tom Jobim e do próprio Paquito. Então comecei a viajar muito. Fui citada nos maiores jornais e revistas do mundo do jazz. Mas minha vida continuava na mesma solidão e o vazio profundo persistia no coração. Em meio a essas viagens, eu continuava buscando com afinco alguma coisa que explicasse esse sentimento. Em cada hotel em que ficava, depois dos shows e entrevistas, eu chorava de solidão e desespero.

Você também buscou orientação na astrologia e nos conselhos de uma “guru”. Isso ajudou?

Ajudava momentaneamente, porém pouco. O astrólogo sempre falava quase a mesma coisa. Às vezes, me atrapalhava e muito, pois ficava esperando que o que ele dizia iria dar certo.

Você também experimentou o culto do Daime. Como foi isso?

O culto do Daime foi uma das piores coisas que fiz. Tomei um líquido horrível pensando que iria sair dali com a paz que eu sempre busquei. Acredito que as pessoas que estavam ali comigo também buscavam o mesmo que eu. Saí dali razoavelmente bem, mas dois dias depois a queda foi pior.

Esse tipo de sentimento é comum no meio artístico?

As pessoas no meio artístico estão sempre procurando engrandecer o ego. O artista geralmente é egocêntrico. Ele busca a fama custe o que custar e quando a alcança vê que ela não preenche o vazio que ele sente. Então continua suas buscas em relações, bebidas, aventuras. E isso não tem fim.

O que você pensava a respeito de Deus, de religião e dos religiosos, nessa época?

Acreditava que Deus era uma “força maior”, uma energia. Achava que Deus era bom, mas que, às vezes, castigava. Sempre tive preconceito com relação aos crentes, aos que andavam com a Bíblia embaixo do braço. Pensava que eram pessoas ignorantes, fanáticas e que achavam que tudo que era bom era proibido. Na verdade, eu mal sabia que muitas coisas consideradas boas para o “mundo” são más e nos levam cada vez mais para longe dEle.

Por que resolveu voltar ao Brasil?

A família e os amigos para mim são preciosos e eu sentia muita falta de todos.

Como foi seu primeiro contato com a mensagem bíblica?

Certo dia, um amigo do meu esposo, o Kiko Cardoso, esteve em nossa casa pela primeira vez e senti algo diferente nele. Depois soube que ele era crente. Ele nos convidou para irmos ao estudo bíblico na casa da irmã dele, a Aline. Achei o convite meio esquisito, pois não tinha vontade de ler a Bíblia, por puro preconceito. Mas a Aline foi à nossa casa e no primeiro contato gostamos muito dela. Então aceitamos o convite e fomos ao estudo. Meu esposo, o Marcelo, havia perdido o pai fazia pouco tempo. Ele estava muito triste e o estudo da Bíblia o confortou. Deu-lhe esperança.

Nessa época, vocês já tinham um filho. A paternidade influenciou de alguma forma essa busca de Deus?

Sim, influenciou também, pois meu esposo e eu não queríamos criar nosso filho num mundo tão cheio de maldade, sem uma religião.

Depois de começar a estudar a Bíblia, o que mudou em sua vida? Por que a Bíblia, diferentemente de outras “filosofias de vida” que você tentou seguir, fez sentido para você?

Quando comecei a estudar a Bíblia, conheci a pessoa de Jesus e me encantei com os ensinamentos dEle: o amor verdadeiro e o perdão. Entendi que existe vida eterna e, por conseguinte, a perfeição. Aprendi que Jesus me ama tanto a ponto de dar a vida por mim. Essa é a verdade que encontrei e que me trouxe paz, a paz que tanto busquei por quase trinta anos. Era bom demais saber que o Criador do Universo Se preocupa comigo e me oferece a vida eterna em plena perfeição ao lado dEle! Eu só poderia dizer humildemente: “Obrigada, Senhor!”

Depois de tudo o que vivi, eu sei e posso dizer que encontrei finalmente a Verdade, porque toda essa vivência que eu tive antes não me trouxe a paz que sinto hoje. Agora posso dizer: “Sou livre em Jesus Cristo! A verdade me trouxe paz e liberdade. Me sinto feliz em ser diferente do mundo e em estar no caminho oposto ao do mundo, e quero contar a todos que Jesus Cristo me salvou!”

Como seus amigos, colegas de profissão e familiares encararam sua mudança?

No começo, minha família ficava fazendo chacota por causa das mudanças de hábito, principalmente no que diz respeito à alimentação. Quanto aos amigos, a maioria foi se afastando aos poucos. Pouquíssimos estão ainda por perto e manifestam algum interesse. Mantive um grupo de estudos bíblicos em minha casa, em São Paulo, durante quatro anos, e muitos amigos passaram por lá. Foi uma bênção.

Você foi batizada em 2005. A partir de então, você começou a usar seu talento e conhecimentos para louvar a Deus. Mas o que mudou em sua música?

Mudou a maneira de cantar, pois hoje eu canto o que vivo. Cantar e falar do amor de Deus é o mais sublime sentimento.

Em sua opinião, qual a música ideal para adorar a Deus?

Penso que a música ideal para adorar a Deus seja aquela calma, mas ao mesmo tempo alegre, pois é uma forma de oração e deve refletir nossa gratidão a Deus por tudo o que Ele é e tem feito por nós. Quando louvamos, nosso coração deve sentir paz; isso quer dizer que o Espírito de Deus está presente.

Suas canções são caracterizadas pela tranquilidade e simplicidade. Como encara o atual predomínio de instrumentos percussivos e de certos “malabarismos” vocais que mais parecem chamar atenção para o cantor do que para Deus?

Cada cantor tem sua maneira de louvar a Deus. Resta saber se, depois de uma mensagem musical, todos os que estavam ouvindo sentiram a presença do Espírito Santo de Deus e se o próprio cantor saiu repleto de paz.

Você deixou de lado dinheiro, fama e prestígio. O que lhe traz felicidade atualmente?

Hoje o que mais me deixa feliz é poder, do púlpito, compartilhar o amor do nosso maravilhoso e misericordioso Deus; esse Deus que mudou minha vida.

Qual sua motivação para cantar e testemunhar?

É saber que, por meio do canto e do testemunho, Deus pode me usar para ajudar uma pessoa a tomar a decisão ao lado dEle.

Deixe uma mensagem para o leitor.

Querido irmão de fé, já ouço os passos de Jesus voltando para nos buscar. Por favor, reavivemos nossa vida, nosso coração com muita comunhão. Somente assim poderemos pregar o evangelho por meio de nossas atitudes, afeto e vida, para que as pessoas sintam que, na essência, somos diferentes, porém, felizes. Deus nos abençoe. Amém!