quarta-feira, março 26, 2014

Médico de homens e de almas

Dr. Luiz Fernando Sella
Importância da mensagem de saúde defendida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia

Médico de Homens e de Almas é o título do famoso livro escrito por Taylor Caldwell, mas bem poderia servir para identificar o Dr. Luiz Fernando Sella, um médico ex-ateu, hoje totalmente envolvido no ministério médico-missionário adventista. Luiz nasceu em Concórdia, SC, em 1983. Formado em medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, foi médico visitante da University of Miami School of Medicine, em 2006 e 2007, e certificado pela Educational Commission for Foreign Medical Graduates, em 2007. Estudou também no Wildwood Lifestyle Center & Hospital, também nos EUA. Atuou como médico no Programa Saúde da Família, em Santa Catarina, com enfoque em medicina preventiva e estilo de vida, e tem experiência em organização de cursos de Medicina Preventiva e Feiras de Saúde no Brasil, Estados Unidos, Japão e África. Casado com a médica Daniela Tiemi Kanno, atualmente é diretor clínico do Centro Adventista de Vida Saudável (Cevisa), em Engenheiro Coelho, SP. Nesta entrevista, concedida ao jornalista Michelson Borges, o Dr. Luiz fala de sua conversão, da importância da mensagem de saúde defendida pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e do seu livro Universo Paralelo, recém-lançado pela Casa Publicadora Brasileira e escrito em parceria com a Dra. Daniela.

Antes de conhecer Jesus e a mensagem adventista, você era ateu. Por que assumia essa postura? Por que fé e religião lhe pareciam irracionais?

Nasci em um lar cristão e frequentei o catecismo por cinco anos. Meus pais fizeram o possível para me dar uma educação religiosa. Mas, apesar do contato com Jesus desde a infância, não me lembro de ter mantido um relacionamento pessoal com Ele. Minha religião era superficial e formal. Quando terminou o período de catecismo, despedi-me de Deus, perdi o interesse de ir à igreja e sequer tinha vontade de conversar com Ele.

Mas foi durante a faculdade que duvidei de Deus completamente. O ateísmo, o evolucionismo e a filosofia secular dominavam as discussões na universidade. Meus professores sempre foram bem enfáticos sobre o “fato” de o corpo humano ser resultado da evolução das espécies. Tudo fazia muito sentido. Para tudo havia uma explicação científica. Não sobrava espaço para Deus em nada. Para mim, Deus era o “ópio do povo”.

Como foi seu processo de conversão? O que mais lhe chamou a atenção na mensagem adventista?

Minha conversão foi motivada pelo estudo da Bíblia. Eu havia acabado de voltar de Miami, nos Estados Unidos, onde passei cinco meses fazendo estágios. Meu plano era fazer residência médica fora do país. Naquela época, longe de Deus, meu interesse maior era ganhar dinheiro e aproveitar a vida.

Quando cheguei ao Brasil, fui trabalhar como médico de família em um posto de saúde em Florianópolis, SC. A comunidade era muito pobre e cheia de problemas sociais e de saúde. Foi um grande choque cultural para mim.

Lá, conheci a Daniela. Ela também era médica, descendente de japoneses e natural de São Paulo, mas havia se mudado para Florianópolis e se tornado adventista. Certo dia, ao entrar no consultório dela para discutir um caso clínico, deparei-me com ela lendo a Bíblia e estudando a Lição da Escola Sabatina. Ela me ofereceu estudos bíblicos e, por um milagre, aceitei!

Comunidade carente em Florianópolis; Dra. Daniela

O que mais me chamou a atenção na mensagem adventista foi a coerência perfeita das doutrinas. Não havia contradições nem perguntas sem respostas. A descoberta de que Cristo vai voltar e a verdade sobre o sábado me impressionaram muito. O estudo das profecias de Daniel e Apocalipse, a doutrina do Santuário e a descoberta do criacionismo também foram decisivos para eu tomar minha decisão pelo batismo.

Você abriu mão de uma residência médica nos Estados Unidos. Por que fez isso?

As maiores motivações que me levavam aos Estados Unidos eram o interesse por uma medicina científica e moderna, morar fora do país, ser um médico respeitado e ganhar milhões de dólares. Desde a primeira vez que visitei o país, eu quis experimentar o “sonho americano”. Mas, quando conheci Jesus, Seu caráter perfeito mostrou minhas falhas e defeitos. Sua atitude de serviço desinteressado denunciou meu egoísmo, e Seu desapego material mostrou que meu deus era o dinheiro. Além disso, compreendi que a vontade de Deus para mim, como profissional de saúde adventista, era que eu tratasse meus pacientes de maneira diferente, sem o uso de drogas, mas por meio dos simples agentes da natureza. Estudando o livro A Ciência do Bom Viver, entendi o método divino de cura para este tempo. Depois de alcançar essa compreensão, eu não mais quis aprender a receitar quimioterápicos; eu queria prevenir o câncer.

Escola de Medicina da Universidade de Miami

A questão da residência médica não era Miami ou Brasil, riqueza ou pobreza, fama ou anonimato. O que estava em jogo era a vontade de Deus versus a minha vontade. Graças a Deus, decidi fazer a vontade dEle!

Conte como foram suas experiências missionárias no Japão e em Cabo Verde.

As duas viagens missionárias foram incríveis, porém muito diferentes. Em Cabo Verde, as pessoas sofriam de muitas doenças e não podiam contar com o precário sistema de saúde do governo. Passamos 25 dias ajudando e evangelizando a população por meio da obra médico-missionária. Fizemos feiras de saúde, palestras, cursos de culinária e semanas de oração. Algumas pessoas foram batizadas e mais de 500 tomaram a decisão de estudar a Bíblia. Foi também uma viagem de aprendizado. Desde que chegamos, percebemos como aquele povo tão sofrido era feliz. Nos fins de semana, eles se reuniam em igrejas tão pequenas que muitos ficavam do lado de fora e ouviam o sermão pela janela. Mesmo assim, cantavam e louvavam a Deus com o coração. Apesar de materialmente pobres, eram espiritualmente ricos. O coração deles transbordava de gratidão a Deus pelo pouco que tinham.
 
Cabo Verde

Japão

No Japão, a realidade é oposta. Descobrimos que a maioria é materialmente rica, mas espiritualmente vazia. Eles têm tudo do bom e do melhor, mas não têm muito interesse em Deus. Aliás, o desafio da Igreja lá é imenso: são 15 mil adventistas no país inteiro para evangelizar 125 milhões de pessoas. Nessa viagem, nosso propósito foi treinar os membros da igreja para empregar a mensagem de saúde nos esforços evangelísticos. E deu certo: fizemos trabalho de porta em porta, usando a saúde como “gancho”, e fomos muito bem recebidos pelos japoneses.

Fale sobre o convite que você e sua esposa receberam para trabalhar na Clínica Adventista Vida Natural, em São Roque.

Logo após nosso casamento, ficamos seis meses nos Estados Unidos, acompanhando médicos de um centro de vida saudável, para aprender mais sobre estilo de vida e tratamentos naturais. Nosso plano, ao voltar para o Brasil, era abrir uma clínica nossa. Havia até um empresário no Sul interessado em nos ajudar financeiramente.

Porém, menos de uma semana depois de nosso retorno ao país, por providência divina, conhecemos o pastor Sidionil Biazzi e a esposa, Eliza. Eles foram os pioneiros, com o Dr. Manfred Krusche, da Clínica Adventista Vida Natural. Na época, a clínica havia passado por uma extensa reforma e eles estavam orando por médicos jovens para dar continuidade ao trabalho. A clínica é linda e já estava pronta. Foi assim que começamos e trabalhamos lá até dezembro de 2013, quando recebemos o convite para trabalhar no Cevisa.

E como tem sido o trabalho de vocês no Cevisa?

O trabalho no Cevisa tem sido excelente. Fizemos uma restruturação completa do programa de tratamentos e trouxemos muitas novidades. Hoje oferecemos programas de desintoxicação, reeducação de estilo de vida, programas para alcançar o equilíbrio emocional, tratamentos de reabilitação para quem tem dores crônicas, e o tradicional programa de relaxamento para quem deseja descansar do estresse do dia a dia. Os pacientes têm saído muito satisfeitos com os resultados. Mais informações sobre os nossos programas podem ser vistas no site www.cevisa.org.br



Em linhas gerais, quais são os diferenciais da medicina praticada nas instituições adventistas?

Em primeiro lugar, nas instituições de saúde adventistas, os pacientes são vistos como um todo: corpo, mente e espírito. Não tratamos somente a doença, mas a pessoa que tem aquela doença. Amor, cortesia e espírito de serviço também são um diferencial.

Mais especificamente sobre o trabalho da clínica, acreditamos que as doenças não vêm sem uma causa. As principais que afetam a humanidade atualmente, como pressão alta, diabetes, doenças cardíacas e câncer, estão diretamente relacionadas ao estilo de vida. Os maus hábitos prejudicam gradativamente o corpo até causar uma doença.

Por isso, nosso foco está em ajudar as pessoas a mudar o estilo de vida e a remover as causas das doenças. Todo o tratamento é direcionado para a reversão e a cura, e não somente ao controle de sintomas. Fazendo assim, ajudamos o corpo em seu esforço para alcançar o equilíbrio e restabelecer a saúde.

Com essa abordagem, temos visto diabéticos reverterem a doença; depressivos retomarem o ânimo; obesos escapar da cirurgia de redução do estômago; e muitas outras curas e milagres.

Como você considera a mensagem de saúde adventista no contexto das três mensagens angélicas?

Creio que os cristãos adventistas, como Daniel e seus amigos em Babilônia, são chamados a permanecer em pé e não se render à cultura dos prazeres. Segundo Apocalipse 14 e as profecias de Daniel, vivemos no tempo do juízo desde 1844. E a questão em jogo é: A quem nós adoramos? Assim como Daniel e seus amigos foram submetidos a um teste de adoração, diante da Babilônia histórica, nós também seremos provados no tempo do fim. Creio que Daniel e seus amigos só tiveram firmeza moral para ficar firmes diante de um decreto de morte por terem sido obedientes a Deus nas pequenas coisas, decidindo, desde o início, não se contaminar com os manjares de Babilônia. Cuidar da saúde também é um ato de adoração, uma forma de glorificar a Deus no nosso corpo. As leis de saúde também são leis de Deus e devem ser obedecidas igualmente.

Sabendo que Satanás planeja fazer o máximo de mal possível ao ser humano, transformando alimentos em veneno, como diz o livro Temperança, na página 12, a mensagem de saúde é nossa proteção. A manutenção da integridade física e mental é essencial para o crescimento espiritual, para que ouçamos a voz de Deus, tenhamos discernimento e sabedoria na tomada de decisões.

Para nós, adventistas, a mensagem de saúde também tem que ver com evangelismo. Num momento em que o mundo todo está doente e precisando de respostas, a mensagem de saúde quebra preconceitos, abre portas e prepara a mente das pessoas para receber a mensagem do terceiro anjo. Deus prometeu que, quando a obra médico-missionária estiver conectada ao ministério evangelístico, colheremos mais frutos para o Senhor.

Qual é o papel das nossas clínicas na missão da Igreja?

As clínicas devem ser como um ponto de luz, um baluarte da verdade presente. Nelas, pessoas de todas as classes e denominações devem ser tratadas de maneira diferente da do mundo. Quando bem estabelecidas, nossas instituições de saúde cumprem a missão de curar e evangelizar, aliviando o sofrimento do mundo e levando as pessoas a Cristo, o Médico dos médicos.

Ellen G. White diz que, quando o grande conflito chegar a seu clímax e as pessoas forem confrontadas com o dilema do sábado versus domingo, e os adventistas do sétimo dia estiverem sendo acusados de ser os responsáveis pelas tragédias do mundo, as pessoas que passaram por nossas instituições serão lembradas pelo Espírito Santo do tratamento e do amor que receberam, e muitas tomarão decisões ao lado da verdade.

Acredito também que a Igreja só vai cumprir a grande comissão de evangelizar a todos quando o braço direito da terceira mensagem angélica (a reforma de saúde) se unir novamente com o corpo. A seara é muito grande e os trabalhadores são poucos. Por isso, cremos que todo membro da igreja, mas, principalmente, os profissionais de saúde, devem lançar mão da obra médico-missionária. Segundo os escritos de Ellen G. White, nossas clínicas também devem preparar esses missionários para atender às necessidades evangelísticas em outros lugares.

Fale um pouco sobre o livro que você escreveu com sua esposa. Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o conteúdo dele?

Deus operou um verdadeiro milagre na nossa vida. Realmente fomos chamados para uma missão especial. Depois de alguns anos compartilhando o nosso testemunho em igrejas e palestras, recebemos muitos pedidos das pessoas para que escrevêssemos a nossa história. Oramos bastante e sentimos ser essa a vontade de Deus. O livro narra nossa história de vida e conversão. Mostra um pouco da nossa vida antes e depois de conhecer a Cristo. Também relata com detalhes nossas viagens missionárias e alguns testemunhos de pacientes que tiveram a vida transformada pela mensagem de saúde adventista. Também tem uma pitada de romance, contando alguns detalhes do nosso namoro e casamento. O objetivo final do livro é despertar no leitor o desejo de ter uma experiência real com Deus e se preparar para a volta de Jesus.

Deixe uma mensagem para os leitores.

Estamos nos momentos finais da história deste mundo. Deus precisa de nós. Ele anseia derramar o Espírito Santo e nos usar na Sua obra. Precisamos nos entregar sem reservas e confiar que Ele sabe o que é melhor para a nossa vida.

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